Revista Pensando Famílias

A Pensando Famílias, vol. 10, nº 1, apresenta artigos sobre o pós-modernismo, entrevista com M. White e percurso terapêutico escritos por autores estrangeiros.
Os temas dos autores nacionais são: Psicossomática e Teoria do Apego , parentalização, narrativas e o lúdico, recasamento, pedagogia da violência e mitos familiares

As várias mudanças extremamente rápidas ocorridas em todos os segmentos da sociedade afetam significativamente o ser humano como um todo, quer na sua vida individual, familiar ou profissional. Na atual Era da Informação, a maneira como trabalhamos, competimos, pensamos ou nos relacionamos sofrerá muitas modificações, tendo em vista que a tecnologia que fornece a informação está se tornando um dos setores mais poderosos do mundo. Quanto mais aumenta o número de informações que dispomos, mais dados teremos para lidar e mais preocupações nos traz o entendimento dos mesmos. Os avanços conquistados pelo aperfeiçoamento da tecnologia que dispomos, aumentam nossa qualidade de vida e acenam com melhorias no desenvolvimento social. É verdade também que estes mesmos avanços, se não bem direcionados ou gerenciados, podem causar sérias complicações gênero humano.

Dentro deste contexto, o indivíduo é a peça-chave desta engrenagem. Assim, na contemporaneidade, torna-se evidente a necessidade de ser criativo e rápido em suas decisões e ações. O reflexo deste novo comportamento recai sobre o ser humano e seus relacionamentos, sugerindo mudanças nas relações familiares.

Sem dúvida, as famílias já integraram em suas rotinas o uso de grande parte da tecnologia da Informação, modificando seus costumes, hábitos e até mesmo alguns rituais da vida diária. A família rapidamente assimila as inovações, principalmente os membros mais jovens. Isto pode ser vivido como enriquecedor ou ser motivo de dissociação familiar.

E a terapia familiar como se posiciona frente a tantas inovações?

Dentro desta perspectiva, a terapia familiar pode ser beneficiada pela oportunidade que temos em conhecer de forma ampla o que está sendo realizado em diferentes lugares do mundo. Já não ficamos restritos a determinadas fontes de conhecimento. As trocas entre profissionais, que se tornam possíveis através da Informação, favorecem um maior aproveitamento das experiências já realizadas. O terapeuta de família torna-se mais ágil em busca de outras opções ou instrumentos de trabalho que valorizem ou possibilitem um maior aprofundamento do já adquirido.

É fundamental que, junto a todas estas possibilidades, a Ética não seja colocada de lado como se pudesse tornar-se obsoleta. Ela é dinâmica à medida que novos conhecimentos são agregados, isto é, a postura profissional mesmo com todas as aquisições não se modifica frente ao ser humano que atendemos.

Dentro desta colocação, iniciamos esta edição com J. L. Linares es­crevendo sobre a renovação da terapia familiar sistêmica, enfocando o indivíduo nos sistemas relacionais, o lugar das emoções e a construção de uma psicopatologia relacional. Percorre sobre o pensamento filosófico até che­gar ao pensamento pós-moderno, fazendo suas considerações sobre o que é novo e sobre a continuidade da espiral infinita do fluxo do pensamento humano. Através da entrevista realizada por M. Baker, conhecemos um pouco mais sobre Michael White, considerado como o “gênio criador” da Terapia Narrativa. Na Pensando Famílias n° 9, M. White apresenta-nos seu modelo de trabalho com casais. Aqui tomamos conhecimento da evolução de seu pensamento e sua prática.

M. Selvini discute sua abordagem relacional frente ao pedido dos pais para atendimento de um filho que não é o requerente. Ele trabalha desde o início com um modelo de psicoterapia como processo, incluindo a constru­ção de uma aliança com o paciente no reconhecimento do sofrimento do mesmo.

Ferreira e Muller apresentam as contribuições da teoria do apego para a psicossomática, trazendo um interessante estudo desenvolvido por Maurer & Hunter sobre estilos de apego e o processo saúde-doença e suas implica­ções nas relações familiares.

L. Levy propõe a definição de parentalização buscando subsídios em Bozsormenyi-Nagy e Jurkovic. Questiona também a idéia de que sempre haja uma co-responsabilidade de todos os envolvidos em determinadas situ­ações, apontando o perigo desta idéia transformar-se em dogma.

No mundo atual, encontramos crianças apresentando um elevado nível de estresse, o que traz preocupações reais aos pais e terapeutas. C. Góis apresenta-nos um paralelo entre estresse infantil e o tratamento realizado através da ludoterapia e técnicas narrativas.

L. Kunrath, em seu artigo, focaliza o espaço conjugal dentro do recasamento, o qual pode ficar comprimido entre tantas e diferentes solicita­ções, como filhos de casamentos anteriores e do atual, ex-cônjuges, famíli­as de origem. Com o objetivo de ampliar a troca entre profissionais, inicia­mos a inserção de Comentário realizado por um profissional sobre um dos artigos publicados, assim, apresentamos o Comentário de M. C. V. D. Baptista sobre o trabalho de L. Kunrath, contribuindo com novas idéias sobre o tema proposto.

M. Strey aborda um tema difícil e polêmico: a violência na família. Apresenta um estudo empírico sobre questões de violência entre homens, mu-lhe­res e crianças, revelando alguns dados sobre o que denomina a pedagogia da violência.

C. Gabel escreve sobre um estudo realizado a respeito de mitos fami­liares, abordando alguns conceitos que contribuem para sua constituição, tais como padrões de comunicação, rituais, lealdade e diferenciação. Desejamos a todos uma leitura proveitosa.

Helena Centeno Hintz

A História Acaba no Pós-Modernismo?
Rumo a Uma Terapia Familiar Ultramoderna
 [1]

Juan Luis Linares [2]

Resumo
Ainda que o final da história tenha sido algumas vezes anunciado, o pensamento humano segue um processo de contínua renovação, incorporando sempre, em cada uma dessas etapas, aspectos importantes de fases anteriores. Partindo desta perspectiva, nem a terapia familiar em geral, nem as orientações pós-modernas em particular, supuseram uma ruptu?ra radical com o passado, como também não pudera?m instalar-se comoda?mente em posições definitivas. O foco subjetivo que introduziu o pós-modernismo no modelo sistêmico enriqueceu-o com importantes elementos teóricos e práticos, como a crítica da posição supostamente objetiva do terapeuta, as perguntas circulares e reflexivas ou as técnicas de externalização. Este artigo discute a conveniência de re-empreender a renovação da terapia familiar sistêmica, abordando temas pendentes, como o papel do indivíduo nos sistemas relacionais, o lugar que ocupam as emoções e a construção de uma psicopatologia relacional. Propõe-se a denominação de “terapia familiar ultramoderna”, a espera de uma melhor.
Palavras–chave: Terapia familiar; filosofia; pós-modernismo; indivíduo; psicopatologia relacional.


Does the Story Ends at Postmodernism?
On the Way to an Ultramodern Family Therapy


Abstract
Although the end of history has often been announced, human thought continues to renew itself, always incorporating, in each of these stages, important aspects of what has come before. In this sense, neither family therapy in general, nor its more particular postmodern orientations, has led to a radical break with the past. Neither can they claim to have reached a comfortable, definitive position. The subjectivist turn that introduced postmodernism into the systemic model has enriched it with important theoretical and practical elements, such as the critique of a therapist’s supposed objectivity, circular and reflexive questioning, or the technique of externalization. This article propose to take the renewal of systemic family therapy father by addressing still unresolved issues, such as the role of the individual in relational psychopathology. The term “ultramodern family therapy” is proposed until such time as they are agreement upon a better one.
Keywords: Family therapy; philosophy; postmodernism; individual; relational psychopathology

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[1] Tradução de Vitor Silva, Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta Familiar. A primeira versão deste artigo foi publicada na revista Family Process, vol. 40; n.4; 2001.
[2] Professor titular de Psiquiatria na Universidade Autónoma de Barcelona. Diretor da Unidade de Psicoterapia e da Escola de Terapia Familiar do Hospital da Santa Creu e Sant Pau de Barcelona, Espanha.

Juan Luis Linares

Matteo Selvini [1]

“Nunca será, suficientemente demarcado, que a terapia (e freqüentemente seu destino) inicia com o primeiro contato telefônico”. Mara Selvini Palazzoli, 1974, p. 99

Resumo
Neste artigo, Matteo Selvini discute a abordagem relacional nos primeiros encontros com um pedido de ajuda dos pais para uma patologia de um filho (quando o requerente não é o paciente). Como passar do primeiro contato à primeira sessão? Quais são os objetivos da primeira sessão e como favorecer o sucessivo percurso da psicoterapia? O acolhimento do pedido é focalizado em construir uma aliança com o paciente baseada no reconhecimento do seu sofrimento. Vem redimensionada a clássica postura intervencionista de trabalhar sobre uma mudança imediata, para andar na direção de um modelo de psicoterapia como “processo” que passa por diversas fases, cada uma com seus objetivos, e não como uma série de “sessões únicas” com função de serem resolutivas.
Palavras-chave: terapia de família; psicoterapia; primeiras sessões.


Techniques to initiate a therapeutic process of a non requiring patient

Abstract
In this article, Matteo Selvini writes about the relational approach in the first meetings starting with a demand for help from the parents of a pathological son/daughter (when the petitioner is not the patient). How can one pass from the first contact to the first session? Which are the first session goals and how to favor a successful psychotherapy path? The welcome of the demand is focused on building an alliance with the patient based on the recognition of his/her suffering. The classic intervention position of working on an immediate change is re-dimensioned into a walk towards a psychotherapy model seen as a “process” which passes through several phases, each one with its objectives, and not like a series of “unique sessions” with the goal of being resolutive.
Keywords: family therapy; psychotherapy; first sessions.

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[1] Matteo Selvini é Co-responsável da Scuola di Psicoterapia della Famiglia “Mara Selvini Palazzoli”. A colaboração de Stefano Cirillo foi importante na redação deste texto. Publicado originalmente na Revista Psicoterapia Familiare, n. 73, novembre 2003. Accademia di Psicoterapia della Famiglia.

Matteo Selvini

Vinícius Renato Thomé Ferreira [1]
Marisa Campio Müller [2]

Resumo
A psicossomática, como área de estudo que visa investigar os aspectos psicológicos e as doenças, tem feito importantes avanços. A teoria do apego desenvolvida por John Bowlby tem contribuído de forma importante para a psicossomática. O presente artigo relaciona pesquisas desenvolvidas que tiveram por base teórica a teoria do apego no entendimento dos quadros patológicos, e apresenta o modelo de Maunder & Hunter (2002) que relaciona os estilos de apego e as doenças.
Palavras-chave: psicossomática; teoria do apego; doenças.


Psychossomatic and Attachment Theory: Familiar and Couple Therapy Similarities

Abstract
Psychosomatic, as research area regarding the relationship between psychological factors and diseases, has been doing important findings. Attachment theory, developed by John Bowlby, has contributed in an important way to psychosomatic. The article links researches developed under attachment theory background with diseases, and presents Maunder and Hunter’s understanding model of attachment and its relations with diseases.
Keywords: psychosomatic; attachment theory; diseases.

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[1] Faculdade Meridional – IMED, Passo Fundo; Universidade Regional Integrada – URI, campi Erechim e Santo Ângelo; UnC-Concórdia.
[2] Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Vinicius Renato Thomé Ferreira e Marisa Campio Muller

Laurice Levy [1]

Resumo
Esse artigo se propõe definir a parentalização, segundo Bozsormenyi-Nagy e Jurkovic que estudaram o tema profundamente. Além disso, convida o leitor a rever a idéia corrente entre os terapeutas de família sistêmicos de que em todas as situações, sejam elas quais forem, realmente há sempre a co-responsabilidade de todos os envolvidos, ou se, em alguns casos, como o da parentalização de crianças muito pequenas, essa máxima não teria que ser revista, relativizada e/ou desconstruida para não se transformar em dogma.
Palavras-chave: parentalização, co-responsabilidade, olhar sistêmico, desconstrução, dogmas.


Parentified Child – Co-responsible Child? Putting Dogmas and Concepts in Question

Abstract
This paper aims to define parentification, according to Bozsormenyi-Nagy and Jurkovic, who studied this theme deeply. It also discusses the statement, current among systemic family therapists, concerning co-responsability of all persons involved in any family situation. We put in question if, in case of very young parentified children this statement is true and if it should not be reviewed in order not to become a dogma.
Keywords: parentification, co-responsability, systemic theory, disco

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[1] Psicóloga, Psicanalista, Terapeuta de Família e de Casais, Psicodramatista, Mestre em Psicologia Clínica PUC/RJ.
Laurice Levy

Caroline Abreu Góis [1]

Resumo
O estresse em crianças é um tema que, atualmente, vem sendo palco de muitos estudos e discussões acadêmicas. O artigo tem como objetivo realizar um paralelo entre estresse infantil e seu tratamento (terapia familiar), mediante o uso da ludoterapia e das técnicas narrativas. Será apresentado um caso clínico que ilustra e articula os referenciais teóricos sobre estresse com o método narrativo que conduziu os atendimentos. Pôde-se, então, constatar que o comportamento da cliente refletia a sua imersão numa condição de estresse excessivo em uma fase da vida, na qual ela deveria brincar mais e se preocupar menos. As sessões, desse modo, revelaram um pedido de ajuda e, em muitos momentos, de consolo que traduzia as “rachaduras” em sua dinâmica parental, escolar e social.
Palavras-chave: Estresse infantil; ludoterapia; narrativa; terapia familiar sistêmica.


Using Narrative and Playing for Childhood Stress Identification and Treatment

Abstract
The stress in children is a theme that, at this moment, is being focused by many studies and academic discussions. The article aims to make a parallel between stress infantile and its treatment (familiar therapy), through the use of the ludotherapy and the techniques of narratives. It presents a clinical case that illustrates and articulates the theoretical references about stress with the narrative method that conducted the therapeutic sessions. It was possible to realize that conduction of the patient reflected his immersion in a condition of excessive stress during the phase of life when he should play more and be less worried. So, in the sessions, were noticed a cry for help and, in many moments, weakness were shown by the patient, during the dynamic interactions. Feelings involving his school, social and personal relationships kinship were shown then.
Keywords: Stress infantile; ludotherapy; narrative; therapy familiar systemic.

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[1] Psicóloga clínica e escolar, especialista em Psicologia Conjugal e Familiar, com formação em Terapia Familiar Sistêmica pelo Instituto Humanitas – Centro de Intervenção e Pesquisa em Sistemas Humanos, Salvador, BA.
Caroline Abreu Góis

Recasamento: Novas Oportunidades para o Espaço Conjugal? [1]

Letícia Hoffmann Kunrath [2]

Resumo
Na contemporaneidade encontramos uma diversidade de configurações familiares, entre elas um número significativo de famílias recasadas. Visto a relevância desta temática, o presente trabalho objetiva refletir sobre o espaço da conjugalidade em famílias recasadas. Para isso, foi utilizado o método de estudo de caso proposto por Gil (1996) utilizando-se o relato de atendimento de uma família na qual ambos os cônjuges vinham de casamentos anteriores. Visa-se, igualmente, uma reflexão a respeito desse casal frente às demandas identificadas, levando-se em conta a complexidade desses fenômenos.
Palavras-chaves: famílias recasadas, conjugalidade, espaço conjugal.

Remarriage: New Opportunities for the Conjugal Space?

Abstract
In contemporaneity, we find a diversity of family configurations and remarried families represent a expressive number of them. Considering the importance of this subject, the goal of this study is to reflect about the conjugalspace in remarried families. To achieve this, the case study method proposed by Gil (1996) was used in a treatment family report in wich both spouses had been married before. We also aim at a reflection about this couple in relation to the demands they have to face, considering the complexity of these phenomena.
Keywords: remarried families, conjugality, conjugal space.

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[1] Trabalho de Conclusão do Curso de Formação de Terapia de Família no DOMUS – Centro de Terapia de Casal e Família.
[2] Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica pelo CFP, mestranda em Psicologia Social e da Personalidade PUC-RS, psicoterapeuta de Casal e Família.

Helena Centeno Hintz – Psicóloga, Orientadora do trabalho de conclusão do Curso de Formação de Terapia de Família do DOMUS. Especialista em Psicologia Clínica pelo CFP, Psicoterapeuta Individual, de Casal e Família, Docente, Supervisora, Coordenadora do DOMUS. Editora da Revista Pensando Famílias.
Letícia Hoffmann Kunrath


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Maria Cecília Veluk Dias Baptista [1]

Comentar é, além de dizer o que se achou do que se leu, também trocar. É conhecer a criação da autora, enriquecer-se com ela e a partir daí fazer reflexões e obter novos olhares sobre o mundo que nos cerca, iniciando outro momento de criação.
Desde o início da leitura deste artigo, através da ampla revisão bibliográfica feita pela autora, percebe-se a complexidade dessas novas configurações familiares, que surgem nas famílias contemporâneas. A partir desta afirmação, fica para nós, terapeutas familiares, a importância de estarmos acompanhando as mudanças sociais, atentos às questões que surgem e influenciam nas dinâmicas familiares.

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[1] Psicóloga; Psicodramatista; Pós-Graduada em Psicologia Social; Terapeuta de Família e Casal; Supervisora Didata de Psicodrama; Coordenadora do Curso de Casal e Família no Delphos Espaço Psico Social/ RJ; Membro da Comissão Científica da ATF-RJ; Presidente da Federação Brasileira de Psicodrama; Diretora Presidente do Delphos Espaço Psico Social/ RJ.

Maria Cecília Veluk Baptista


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Marlene Neves Strey [1]
A violência é uma constante na vida de grande número de pessoas em todo o mundo e nos afeta a todos de um modo ou de outro. Para muitos, permanecer a salvo consiste em fechar portas e janelas e evitar lugares perigosos. Para outros, não há escapatória, porque a ameaça de violência está atrás dessas portas, oculta aos olhos dos demais…
Dra. Gro Harlem Brundtland, 2002
Diretora Geral da OMS

Resumo
A partir da constatação teórica e empírica que a violência é um fenômeno generalizado e que a família é local onde este fenômeno acontece muitas vezes de maneira naturalizada pelas práticas e demandas culturais, foi realizado um estudo empírico com uma amostra de 51 participantes de ambos os sexos, utilizando-se um questionário sobre questões de violência entre mulheres, homens e crianças. Os dados foram tratados quantitativamente por meio de freqüências e porcentagens e analisados à luz das teorias de gênero. Os resultados sugerem que as pessoas não aceitam a violência quando praticada entre mulheres e homens adultos, mas que pode ser aceita, em algumas circunstâncias, na educação e disciplina de crianças, podendo estar na prática do castigo físico um dos ensinamentos sobre a solução de conflitos presentes na socialização realizada dentro da família.
Palavras-chave: pedagogia da violência; violência de gênero; socialização; família.


Family and Violence Pedagogy

Abstract
Starting from theoretical and empiric evidence about violence as a spreading phenomenon, and that the family is where this phenomenon seldom happens in a naturalized way by cultural practices and demands, it was made a study with a sample of 51 participants of both sexes, through a questionnaire about violence issues between man, women , and children. Data where quantitatively analyzed by frequencies and percentages focused by gender theories. Results suggest that people reject violence between male and female adults, but it can sometimes be accepted in certain ways to educate and discipline children. Physical punishment can be one of the lessons people learn about how to solve conflicts during the socialization process within family.
Keywords: violence pedagogy; gender violence; socialization; family.

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[1] Psicóloga. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Marlene Neves Strey

Christine Liz Moeller Gabel [1]

Resumo
Este artigo tem como objetivo apresentar uma revisão teórica a respeito dos mitos familiares. Aborda conceitos a respeito dos elementos que os constituem, tais como padrões de comunicação familiar, rituais familiares, lealdade à família e diferenciação. Descreve estudo realizado com estudantes do curso de psicologia onde os mitos familiares foram identificados a partir de alguns de seus componentes, estabelecendo correlação entre os mitos culturais e os mitos familiares.
Palavras-chave: mitos; mitos familiares; padrões de comunicação; rituais familiares; lealdade.


Identifying the Familiar Myths

Abstract
The aim of this article is to present a theoretical revision about familiar myths. It introduces elements that compose the myths, such as communication standards, familiar rituals, loyalty to family and differentiation. It approaches research made with Psychology students, where familiar myths were identified from some of its components, establishing a correlation between the cultural myths and the familiar myths.
Keywords: myths; familiar myths; communication standards; familiar rituals; loyalty.

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[1] Psicóloga, Mestre em Psicologia, Especialista em Psicologia Clínica, Especialista em Administração de Recursos Humanos, Terapeuta Familiar, professora da FURB (Universidade Regional de Blumenau).
Christine Liz Moeller Gabel

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