Pensando Famílias vol. 10, nº 2

A Pensando Famílias, vol. 10, nº 2, apresenta artigos de três renomados autores estrangeiros, M. Andolfi, Dora Schnitman e José Antonio Ríos. Os autores nacionais escrevem sobre parentalidade e conjugalidade, família e mídia, um passeio por Milão, equipe reflexiva, profissional em contexto de violência e sensibilização de terapeutas.

Percebe-se um movimento dos estudiosos da terapia familiar em buscar novas maneiras de envolver os sistemas familiares em ações produtivas na utilização de recursos. Nesta edição, vários artigos referem a necessidade do terapeuta adequar seu trabalho aos novos paradigmas atuais, adaptando-se às mudanças que estão ocorrendo nos vários segmentos da sociedade e, conseqüentemente, na família.

Iniciamos esta edição com o trabalho de Maurizio Andolfi, pessoa fundamental na formação de tantos terapeutas de família. Ele nos instiga a pensar sobre a maneira de ser terapeuta nos diversos contextos culturais de diferentes partes do mundo. Andolfi levanta vários questionamentos sobre a utilidade social do terapeuta e afirma ser necessária uma terapia familiar cultural, contemplando as preferências culturais, examinando criticamente os modelos familiares existentes e as teorias e técnicas utilizadas.

Dora Schnitman, diretora de Interfas, B. Aires, escreve sobre diálogos gerativos, abordagem que utiliza recursos e valores dos clientes para enfrentar diversas situações difíceis, conflitos e crises. Emprega princípios epistemológicos dos novos paradigmas, pois permitem trabalhar com possibilidades e realidades emergentes. Esta abordagem propõe busca pelos novos significados e práticas, os quais podem tornar-se mais eficientes na escolha dos instrumentos a serem utilizados para alcançar a melhor solução possível. Aqui, o profissional tem o papel de facilitador de um processo, levando a novas possibilidades para a ação e interação.

José Antonio Rios González, conhecido terapeuta familiar espanhol, fundador-diretor de “Stirpe”, escreve sobre as famílias que “fazem adoecer”, trazendo suas idéias sobre os fatores que podem conduzir às crises familiares e, conseqüentemente, à necessidade de tratamento destas famílias. Desenvolve seu trabalho apresentando os “mal-estares” das famílias e casais, concluindo com algumas sugestões de como solucionar estas dificuldades. Hackner, Wagner e Grzybowski apresentam sua pesquisa sobre o exercício da coparentalidade após o término do casamento. Revelam que relações conjugais muito conflitadas são determinantes do grau de dificuldades da relação coparental após a separação. Pode haver um emaranhamento entre os subsistemas parental e conjugal, mas se este não envolver os filhos, poderá apresentar uma coparentalidade mais saudável e eficiente.

Fiamenghi, Scassioti, Bertolo, Oliveira e Romão apresentam uma interessante pesquisa sobre como é que as revistas brasileiras mostram as famílias nas propagandas veiculadas desde 1950 até a atualidade. Os autores, após a apresentação dos dados levantados, concluem que a mídia pode induzir mudanças sociais, uma vez que sendo onipresente na vida atual, pode modificar comportamentos dos indivíduos, inclusive influenciando as crianças as quais podem referendar-se nas informações que recebem, diariamente, da mídia.

Nina V. Guimarães apresenta o caminho percorrido pelo Grupo de Milão desde o seu início em 1970, expondo os diversos conceitos e idéias desenvolvidos pelos seus membros. Refere-se também à divisão do Grupo em 1979, escrevendo sobre a continuidade que Selvini Palazzoli juntamente com Prata e Boscolo com Cecchin deram aos estudos efetuados. Finaliza dizendo que é um grupo que utiliza a criatividade produtivamente, revelando uma multiplicidade de soluções a serem experienciadas.

Ana C. B. Vidal analisa o uso e os efeitos da técnica da equipe reflexiva em um caso de psicoterapia individual. Desta forma, houve a adaptação de uma técnica pertinente à terapia familiar para o uso em psicoterapia individual. Através do grupo de supervisão, tornou-se possível utilizar a equipe reflexiva nas devoluções feitas à paciente. A autora demonstra, dessa forma, como os instrumentos ou técnicas sistêmicas podem ser utilizados em contextos diferentes do familiar.

Laurice Levy comenta o trabalho de Ana C. B. Vidal referindo-se aos sentimentos despertados em si mesma, pelas questões da integração de técnicas e teorias e a parentalização, ambas já tendo feito parte de estudos realizados pela autora.

Maria Beatriz R. Ricci traz algumas reflexões sobre a vulnerabilidade do profissional frente a um contexto de violência, quer seja nas relações de trabalho que estão ligadas a atos de violência como com indivíduos que sofrem ou praticam a violência. A autora propõe uma preparação específica do profissional para ajudá-lo a proteger-se desta vulnerabilidade tanto em nível profissional como também pessoal.

Rogério L. Horta refere o trabalho clínico com famílias, percebendo-as em sua diversidade dentro de condições históricas e sociais pertinentes ao tempo em que vive. Propõe que o terapeuta familiar seja sensível, com uma postura flexível, considerando em seu trabalho, especialmente, as variáveis de gênero e de tempo, dentro de uma visão histórica.

Iniciamos esta edição com uma análise do trabalho do terapeuta e esta é finalizada com um trabalho que refere a sensibilização do terapeuta.
Boa leitura!

Helena Centeno Hintz

O Retorno ao Social: Utopia ou Necessidade Para os Terapeutas de Família?

Resumo
A proposta deste artigo é, através da revisão do desenvolvimento da Terapia de Família na Itália, repensar algumas mudanças no jeito de ser terapeuta ao redor do mundo. Nos últimos anos, o mundo dos psicoterapeutas foi forçado a repensar sua utilidade social potencial num mundo cada vez mais em crise, dilacerado por desencontros de cultura e de valores religiosos sempre mais divulgados. As revoluções culturais nunca surgem em situações de bem-estar coletivo. A contradição, a injustiça e os desequilíbrios sociais são os ingredientes mais potentes para incitar verdadeiros processos de mudança. Criticamente, é possível afirmar que existe uma tendência a se estar mais acostumado a compreender os clientes que vem à consulta do que levar em consideração uma visão de mundo.
Palavras-chave: terapia de família; mudanças; história; social.


The Return to the Social: Utopia or a Necessity for Family Therapists?

Abstract
The propose of this article is to consider some changes in the way of being of the therapist around the world, through the revision of the development of the Family Therapy in Italy. In the last years the world of psychotherapists was forced to rethink its social usefulness in crisis in an environment dilacerated by cultural conflicts and disagreements in religious values even more wide spread. The cultural revolutions never take place in situations of shared wellbeing. Contradictions, injustices and social inequalities are the most powerful ingredients in order to trigger processes of change. Critically it is possible to affirm that there is a tendency to be more used to comprehend the clients that came for consultation than takes into consideration a vision of the world.
Keywords: Family therapy; changes; history; social.

Maurizio Andolfi

Diálogos Gerativos

Dora Fried Schnitman [1]

Resumo
Este artigo apresenta os diálogos gerativos, uma das abordagens desenvolvidas nos últimos anos, a qual utiliza os recursos e valores dos clientes para enfrentar diversas situações difíceis, conflitos e crises em diferentes contextos. Oferece um modelo e ferramentas para criar alternativas e possibilidades na gestão de conflitos transitando a passagem para a criatividade social. A perspectiva gerativa baseia-se em princípios epistemológicos dos novos paradigmas e centra-se nas oportunidades que surgem dos eventos únicos, o diálogo, a aprendizagem e a inovação em colaboração com os participantes. Apresenta e ilustra perguntas gerativas, uma das ferramentas desenvolvidas pelo modelo, e quatro procedimentos: 1. mediação e outras práticas dialógicas gerativas de facilitação em situações de conflito, 2. sistemas gerativos de mediação, 3. sistemas gerativos mediadores, e 4. sistemas gerativos. Caracterizam os processos gerativos, a indagação apreciativa, o posicionamento, as competências e transformações do operador; as mudanças na subjetividade, as relações, as emoções e a construção do comum; e as transformações teóricas e epistemológicas do enfoque. As ferramentas que oferece podem ser utilizadas de maneira independente ou enriquecendo outras abordagens.
Palavras-chave: novos paradigmas e gestão de conflitos; diálogos gerativos; indagação e procedimentos gerativos.


Generative Dialogues

Abstract
This paper presents generative dialogues, one of the approaches developed in recent years that use clients’ resources and values to face an array of difficult situations, conflicts and crises. It offers a model and tools to create alternatives and possibilities in conflict management and to facilitate the passage towards social creativity. The generative perspective is based on the epistemological principles of the new paradigms, and it revolves around opportunities that arise from unique events, dialogue, learning and innovation in collaboration with participants. This paper presents and illustrates generative questions, one of the tools developed by the model, and four procedures: 1. mediation and other generative dialogical practices for facilitation in conflict situations, 2. generative systems of mediation, 3. generative mediating systems, and 4. generative systems. In the paper, we characterize generative processes, generative inquiry and dialogues, positioning, as well as the operator’s competences and transformations; changes in subjectivity, relationships, emotions and the construction of what is held in common; and theoretical and epistemological transformations of the focus. The tools offered here can be used independently or along with other approaches.
Keywords: new paradigms and conflict management; generative dialogues; generative inquiry and processes.

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[1] Ph.D. em Psicologia. Diretora da Fundación Interfas. Professora da Universidad de Buenos Aires. Buenos Aires, Argentina.
Dora Fried Schnitman

Famílias Que Fazem Adoecer

Dr. José Antonio Ríos González [1]

Resumo
O presente trabalho pretende fazer uma reflexão a respeito de famílias que “fazem adoecer”, e contribuir com algumas idéias que pensamos estar presentes no processo que conduz as famílias à necessidade de tratamento. São muitos os fatores que conduzem às disfunções e crises familiares. Poderíamos citar as resistências às mudanças evolutivas, às mudanças do ciclo vital dos membros da família, e a manutenção de atitudes educativas errôneas, como algumas das causas de tais problemas. Esse estudo salienta, de maneira especial, o que se denomina de “mal-estares” da família e do casal os quais influeciam no processo de adoecer da família e do subsistema conjugal. Ao final, apresentamos algumas sugestões de como enfrentar tais problemas.
Palavras-chave: famílias; disfunção familiar; tratamento.


Families That Spawn Illness

Abstract
 The present paper intends to make a reflection regarding “families that spawn illness”, and to contribute with some ideas that we think to be present in the process that leads families to need treatment. There are many factors that lead familiar to dysfunctions and crises. We could mention the resistances to the evolutionary and life cycle changes of the family members and the maintenance of mistaken educative attitudes, as possible causes of such problems. This study points out, specially, the “sickness” of family and the couple who influences the process of been ill of the family and the marital subsystem. At the end, we suggest how to deal with such problems.
Keywords: families; family dysfunction; treatment.

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[1] Psicólogo e Terapeuta familiar e de casais. Professor Titular Universidad Complutense (Madrid).
Diretor de “Stirpe”, de “Cadernos de Terapia Familiar e da Escola de Formação em Terapia Familiar” de “Stirpe”.
Primeiro Presidente da FEATF (Federação Espanhola de Associações de Terapia Familiar) e Presidente de Honra da Associação Espanhola para a Investigação e Desenvolvimento da Terapia Familiar.
José Antonio Ríos González

A Manutenção da Parentalidade Frente à Ruptura da Conjugalidade

Isabel Hackner
Adriana Wagner
Luciana S. Grzybowski

Resumo
Este trabalho se propôs a conhecer e compreender as experiências de mães e pais divorciados/separados, no que se refere ao exercício da coparentalidade após o término do casamento. Para tanto, foi realizada uma pesquisa baseada no estudo de caso coletivo, proposto por Stake (2000). Foram entrevistadas três duplas parentais, que já estavam separadas/divorciadas há mais de seis meses. A análise de cada caso foi feita com base nas seguintes variáveis que compõem a coparentalidade: identidades conjugal e parental; grau de hostilidade no processo de divórcio/separação; padrão do relacionamento coparental; dimensões da coparentalidade (conflito, cooperação e triangulação) e comunicação entre os ex-cônjuges. Os resultados evidenciaram que a hostilidade presente no momento de divórcio/separação foi um fator importante para determinar a qualidade da relação coparental posterior. A indiferenciação das identidades conjugal e parental demonstrou não prejudicar o relacionamento coparental, desde que mantida inacessível para os filhos.
Palavras-chave: coparentalidade; divórcio/separação; relacionamento familiar.


Maintenance of Parental Identity Facing Conjugality Rupture

Abstract
This research aimed to investigate and to understand the coparenting experiences of mothers and fathers who have been divorced. A qualitative approach was used, grounded on Stake’s collective case study (2000). Three parental couples, who had been divorced or separated for at least six months were interviewed, individually. Each case was analyzed based on some co-parenting variables: marital and parental identities; hostility on divorce’s process; three coparenting dimensions: conflict, cooperation and triangulation; and communication between ex-partners. Results demonstrated that Hostility present on divorce/separation was important to determine the quality of post-divorce/separation coparenting. Non-differentiated parental and marital identities seem not to disturb co-parental relationship since it is kept inaccessible to the children.
Keywords: coparenting; divorce/separation; family relations.

Hackner, Wagner, Grzybowski

Representação da Família Brasileira na Mídia

Geraldo A. Fiamenghi Júnior[1]
Ana Paula F. Scassiotti,
Felipe Z. Bertolo,
Natali T. Oliveira,
Carolina S. Romão [2]

Resumo
A estrutura familiar tem sofrido mudanças profundas nos últimos anos, com conseqüências complexas para o desenvolvimento das crianças. A mídia representa a família sob formas que tendem a intensificar tais mudanças. Este estudo objetivou a identificação da representação da família brasileira na mídia impressa, por meio de propagandas retiradas de revistas de circulação nacional, de 1950 até os dias atuais. As propagandas mostram uma tendência em apresentar a família como uma estrutura dividida em pai-filhos ou mãe-filhos, embora ainda apareçam referências a famílias nucleares. Outro resultado foi a presença, ao lado de uma quantidade maciça de propagandas dirigidas ao consumo, de algumas dirigidas a serviços, tais como bancos e companhias de telefonia. Esta pesquisa discute a mídia não apenas como refletindo as mudanças sociais, mas, ao contrário, provocando tais mudanças, de formas explícitas ou sutis, em concordância com os interesses de grandes grupos econômicos transnacionais, impondo uma globalização que facilita o consumismo, mas trazendo conseqüências devastadoras para a estrutura sócio-cultural dos países, exatamente em suas fundações, isto é, na família.
Palavras-chave: mídia; família; propagandas; mudanças culturais; globalização.


Midia Representation of the Brazilian Family

Abstract
Family structure has suffered deeply changes in the latest years, with difficult consequences for children development. Media represents family in a way that tends to intensify those changes. This study aimed to identify the representation of Brazilian family in printed media, via advertisements taken from magazines that circulate throughout the country, from 1950’s on. Advertisements show a tendency in depicting family as a divided, father-child and mother-child structure, although nuclear families still appear. Another finding is the presence, together with a massive amount of advertisements aimed to consumerism, of others aimed to services, such as banks, insurance and telephone companies. This research discusses that media does not simply reflects social changes, but conversely, elicits such changes, in subtle or explicit ways, according to the great transnational economic groups interests, imposing a globalization that facilitates consumerism, but bringing devastating consequences for a country’s socio-cultural structure, exactly in its foundation, that is, the family.
Keywords: media; family; advertisements; cultural changes globalization.

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[1] Professor do Programa de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas.
[2] Alunos da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas.
Fiamenghi, Scassioti, Bertolo, Oliveira, Romão

Um Passeio por Milão: de Batalhas a Ballets

Nina Vasconcelos Guimarães

Resumo
Neste artigo a autora apresenta uma visão abrangente da Escola de Milão, desde sua formação até o momento onde o Grupo original se dissolve, evidenciando o período dos três guias condutores de sessão. Prossegue enfatizando as idéias desenvolvidas por Boscolo e Cecchin após a década de 80 sobre o tempo, a irreverência e os preconceitos na prática clínica.
Palavras-chave: princípios condutores; tempo; irreverência; preconceitos.


A Tour of Milan: from Battles to Ballets

Abstract
In this article the author presents a large vision of the Milan Approach, since the beginning until the moment when the original Group divided, highlighting the systemic guiding principles of the session. Continues emphasizing the ideas developed by Boscolo and Cecchin after 80s about timing, irreverence and prejudices in clinical practice.
Keywords: guiding principles; timing; irreverence; prejudices.
Nina Guimarães

A Diferença que Fez a Diferença: o Uso Incomum da Equipe Reflexiva de Tom Andersen

Ana Carolina Barra Vidal [1]

Resumo
Este estudo objetivou analisar o uso da Equipe Reflexiva de Tom Andersen em um caso de uma jovem adulta que está em psicoterapia individual na Instituição DOMUS. Além de analisar o uso e os efeitos desta técnica de terapia familiar em um contexto de terapia individual, também apresentamos uma comparação do grupo de supervisão de atendimento individual com a Equipe Reflexiva de Tom Andersen. Através deste relato de experiência, evidenciamos que é possível adaptar os métodos sistêmicos em contextos diversos do usual.
Palavras-chave: terapia individual sistêmica; equipe reflexiva; grupo de supervisão.

The Difference That Made the Difference: the Uncommon Use of the Reflecting Team of Tom Andersenen

Abstract
This paper sought to analyze Tom Andersen’s Reflecting Team as used in the individual therapy of a young woman treated at DOMUS. Besides analyzing the effect of a technique from Familiar Therapy used in an individual therapy context, we compared the Supervision Group in Individual Therapy to Tom Andersen’s Reflecting Team. In this paper, we support that is possible to adapt systemic techniques to other unusual contexts.
Keywords: Systemic individual therapy; reflecting team; supervision group.

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[1] Psicóloga e Formanda do Curso de Formação em Terapia de Casal e Família do Centro de Terapia de Casal e Família – DOMUS.
Nira Lopes Acquaviva – Psicóloga, Orientadora do trabalho de conclusão do Curso de Formação de Terapia de Família do DOMUS. Especialista em Psicologia Clínica pelo CFP, Psicoterapeuta Individual, de Casal e Família, Docente, Supervisora, Coordenadora do DOMUS.
Ana Carolina Barra Vidal

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Comentário sobre o artigo A Diferença que Fez a Diferença

Laurice Levy [1]

É com muita satisfação que recebi o convite para comentar o trabalho de Ana Carolina Barra Vidal por vários motivos. Antes de mais nada, por ser um trabalho escrito com seriedade e consistência. Em segundo lugar porque toca em questões caras para mim, tais como a integração de técnicas e teorias e a questão da parentalização. A autora (com o seu grupo de supervisão) transporta a técnica da equipe reflexiva de Tom Andersen para o atendimento individual sistêmico, integrando teorias e técnicas, posição que defendo há bastante tempo e que compartilhei com os colegas em 2000, com a publicação do livro “Integrando Diferenças – Possíveis Caminhos da Vivência Terapêutica”. E, finalmente, por ser sua paciente, Sofia, um exemplo clássico de filho parentalizado, tema que tem sido objeto de meus estudos ultimamente [2].

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[1] Psicóloga, psicanalista, terapeuta de família e de casais, psicodramatista, Mestre em psicologia clínica PUC/Rio, docente e didata no Delphos Espaço Psico-Social, Diretora Adjunta da ATF/ RIO. Autora e co-autora de livros e artigos em revistas especializadas.
[2] Ver meu artigo no último número da Revista Pensando Famílias, volume 10, número 1, junho 2006, denominado “Crianças Parentalizadas, Crianças Co-responsáveis? Desconstruindo Dogmas e Relativizando Conceitos”.
Laurice Levy

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Algumas reflexões sobre o profissional que trabalha em contexto de violência

Maria Beatriz Rios Ricci

Resumo
Neste artigo procuro desenvolver algumas reflexões sobre a vulnerabilidade na qual se encontra o profissional que trabalha em contexto de violência, independentemente desse contexto ser criado por relações de trabalho diretamente ligadas a atos de violência ou com pessoas que sofrem ou praticam violências. Procuro mostrar como essa vulnerabilidade pode adoecê-lo ou levá-lo a intervenções equivocadas, ou ainda torná-lo um reprodutor de violências, quer no seu contexto de trabalho quer fora dele, em suas relações pessoais. Busco, como possibilidade para ajudá-lo a proteger-se ou a superar essa vulnerabilidade, uma preparação específica para atuar nesse contexto, independentemente da modalidade, do nível técnico do trabalho que desenvolve e do local. Essa preparação implica não somente atitudes de ordem profissional, mas também, pessoal.
Palavras-chave: trabalho profissional; contexto de violência; saúde ocupacional.


Some reflections about professional who works with violence context

Abstract

In this paper I try to develop some reflections about the vulnerability in which a professional who works in the violence context, not depending on how this context is created, by labor relations connected directly with violence or with people who suffer or practice violence is subject to. I try to demonstrate how this vulnerability can make him sick or make him take wrong actions, or even turn him in a violence reproducer, being it in his work environment or outside it, in his personal relationships. I seek, as an opportunity of helping this professional to overcome or protect himself from this vulnerability, to offer him a specific preparation to act in this context, independently of the modality or technical level of the work he is performing or the location. This preparation takes into consideration not only attitudes in the professional environment, but also in the personal one.
Keywords: professional labor; violence context; labor health.

Maria Beatriz Rios Ricci

Um convite à sensibilização de terapeutas quanto ao gênero e à história

Rogério Lessa Horta
Marlene Neves Strey

Resumo
Este artigo revisa aspectos sensíveis da intersecção entre a atividade clínica com famílias e saberes das ciências sociais e humanas, em especial, o gênero e a perspectiva histórica. O texto recupera a história das configurações familiares ancestrais, das quais se tem notícia, pondo-as em relação com as contemporâneas, procurando relacionar estas transformações com eventos típicos das culturas de cada tempo e com as transformações dos arranjos entre mulheres e homens, no que se conhece como contrato sexual (Pateman, 1993). Propõe-se o engajamento de terapeutas sensíveis numa postura flexível e que reconheça, nos fenômenos contemporâneos, uma dimensão adaptativa e derivada da evolução dos modos de vida.
Palavras-chave: família; gênero; história; contemporaneidade.


Inviting therapists to become sensible to gender and history

Abstract
This paper revises themes on crossing family therapy and socail or human sciences, mainly gender and historical theories. Its target is to recover the history of some known family configurations, since ancestral to contemporary ones, trying to relate this evolutionary proccess to typical events of the cultures at each time. Changes on women and men relationship, the sexual contract, are also considered on its discussion. The enrollment of sensible therapists in a flexible position is considered and it’s also suggested they become able to recognize the contemporary phenomena as adaptative efforts families carry through, in way to survive in such changing ways of life.
Keywords: family; gender; history; contemporary.

Horta, Strey

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