Pensando Famílias vol. 11, nº 1

A Pensando Famílias, vol. 11, nº 1, apresenta artigos de dois conhecidos autores estrangeiros, Cristina Ravazzola e Carlos Sluzki, que nos brinda com uma entrevista contando um pouco de sua trajetória profisional.
Os autores nacionais escrevem sobre constipação e encoprese, casamento, mediação familiar, formação em terapia familiar e contribuições de Tom Andersen.

Há poucos anos atrás, no início deste século, entre tantas interrogações e desafios, perguntava-se como seria a família do século XXI. Muito se tem falado sobre as novas configurações familiares, sobre as novas formas de amor e, inclusive, na possibilidade do desaparecimento da família, segundo o conceito que temos dela.

Passado os anos iniciais, constata-se que a família continua existindo, acrescida de algumas estruturas familiares diferentes, mas possuindo em seu cerne a presença dos vínculos familiares, necessários para a formação do indivíduo. Continua sendo o espaço afetivo, onde o indivíduo se estrutura, possibilitando-lhe a construção social do mundo real.

Acompanhando as informações que são transmitidas pelos meios de comunicação que dispomos, percebe-se que a família atual vivencia um avassalador aumento de situações estressantes, impondo-lhe um grande sofrimento. Muitas situações são impostas pela natureza, mas outras são ocasionadas pela mão do homem e, não raras vezes, membros dessas famílias vêm a desenvolver estresse pós-traumático, incluindo-se aí a possibilidade de sofrer o processo de perdas ambíguas. Há poucos dias, o acidente ocorrido, em 17 de julho, no Aeroporto de Congonhas, ocasionou a morte de quase duas centenas de pessoas, gerando imensa dor em um grande número de famílias. O que fazer com esta dor? Como estas famílias poderão reconstruir suas vidas?

Devido à importância do acontecido à vida dessas famílias enlutadas, é necessário ser oferecido um trabalho especializado, realizado por profissionais capacitados para isso. Porém, junto a isso, é relevante receber o apoio dos amigos e da comunidade. Dessa forma, a Comissão Editorial e seus colaboradores, unindo seus sentimentos, expressam sua solidariedade, carinho e respeito pela dor dos familiares daqueles que perderam suas vidas naquele fatídico dia. Através desta manifestação, estendem sua solidariedade a todas as famílias que também sofrem perdas, quer seja por catástrofes naturais, ou por atos de terrorismo, assalto, seqüestro e outros mais.

Nesta edição, C. Ravazzola, sendo uma especialista no tema violência, escreve sobre as diversas contribuições atuais que podem ajudar os profissionais em seu atendimento aos membros das famílias que sofrem violência. Ela aprofunda algumas destas contribuições, ampliando assim, as possibilidades de uso junto às famílias. Aponta alguns fatores que podem favorecer o aparecimento de violência, escrevendo sobre as possibilidades, dificuldades e dilemas das intervenções.

C. Sluzki, que esteve recentemente conosco trazendo seus conhecimentos sobre “Vergonha, humilhação e reparação”, relata um caso e discute o tratamento da família em que o terapeuta pode ter excedido as necessidades e expectativas dos membros da família, discutindo a possibilidade do aparecimento de problemas desencadeados pela fascinação que o terapeuta sente pelas histórias das famílias em atendimento. Discorre sobre a relação que o terapeuta mantém com os modelos que segue e o que isto repercute no relacionamento terapeuta-paciente. O autor também é entrevistado pela Comissão Editorial desta revista e conta-nos um pouco de sua trajetória profissional e seu modo de pensar/fazer terapia de família.

D. O. Leitão e M. A. Ribeiro apresentam pesquisa sobre a decisão de jovens e adultos terem ou não filhos. Os dados foram analisados segundo a abordagem sistêmica, sendo que os resultados mostraram alguns fatores influentes tanto na decisão de ter filhos como de não tê-los. Fica evidente a complexidade deste tema, pois o desejo de ter filhos aparece atrelado à satisfação pessoal do casal e aos valores culturais vigentes.

A. P. S. Pacheco apresenta o caso de uma criança com sintomas de constipação severa com episódios de encoprese. Escreve sobre a possibilidade da criança expressar sentimentos através desta patologia e a importância do apoio familiar no êxito do tratamento efetuado.

I. C. Anton comenta o trabalho de A. P. S. Pacheco, trazendo contribuições significativas para o entendimento da encoprese, como sendo uma forma de linguagem que denuncia uma dificuldade existente nos vínculos da criança com sua família.

M. I. Wendling escreve sobre o casamento na era contemporânea, considerando os aspectos conjugais e individuais. Detém-se na construção da identidade conjugal e após exemplifica através da apresentação de um caso clínico.

S. G. Breitman apresenta a complexidade das problemáticas que envolvem questões de gênero e violência, afirmando que, em casos de surgimento de conflito nas separações, divórcios e dissoluções de uniões estáveis, a Mediação Familiar é um processo eficaz e saudável.

L. E. Pratti e S. H. Koller apresentam pesquisa realizada com diversos formadores brasileiros sobre os principais desafios que se encontram no processo de formação de terapeutas familiares. Discutem os resultados referentes à relação formador-formando, examinando a preocupação dos formadores a respeito dos modelos em terapia familiar.

H. C. Hintz escreve sobre as contribuições e práticas desenvolvidas por Tom Andersen. Relembrá-las é uma forma de homenageá-lo e agradecer por seu trabalho dedicado à terapia familiar.

Esta edição traz artigos interessantes com a apresentação de casos clínicos que exemplificam a teoria discutida, qualificando sua apresentação.

Boa leitura!

Helena Centeno Hintz

Violência nas relações familiares: Por que uma visão sistêmica e de gênero?[1]

Maria Cristina Ravazzola[2]

Resumo
Propõe-se uma descrição introdutória das diversas contribuições atuais (construcionismo social, teorias da complexidade, propostas coloquiais colaborativas, estudos das emoções, estudos das diversidades) que, somados à visão sistêmica e aos estudos de gênero, permitem ajudar os profissionais que procuram melhorar a vida dos membros das famílias nas quais ocorrem episódios de violência. Aprofunda-se alguns aspectos destas contribuições e seu potencial para serem utilizados com as famílias afetadas. Enfoca-se também os contextos favorecedores de violência para contribuir com sua prevenção.
Palavras-chave: abuso; violência; gênero; sistemas; comunicação; treinamentos.


Violence in family relationships: Why systemic and gender’s vision?

Abstract
An introductory description of recent ideas and paradigms (Social Constructionism, Complexity theories, Collaborative Conversations, Studies on Emotions, and Studies on Diversities) that, together with Systemic approaches and Gender studies, can help practitioners to improve the daily life of members of the families that suffer from domestic violence, is proposed. Some of their aspects are specially discussed in their potential to be used with the members of the families involved. Contexts that facilitate violence are focused so as to contribute to prevent it.
Keywords: abuse; violence; gender; systems; communication; training.

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[1] Reforço à proposta de Virginia Goldner (1997)
[2] Médica, Terapeuta familiar, Professora do curso de Pós-graduação de Atualização em Terapia Sistêmica da Universidade de Buenos Aires (UBA); Coordenadora e Assessora de Programas de Prevenção e Reabilitação de Condutas de Abuso e de Treinamento de Profissionais.
Autora do livro Historias Infames, los maltratos em las relaciones. Assessora e autora de caderno-guia do Programa de Construcción de Relaciones Democráticas en las Familias, México (INMUJERES y PNUD) (2000-2004).
Asessora em Gênero e Famílias e Supervisora Geral da Fundación Proyecto Cambio, Diretora de PIAFF (Programa de Investigación, Asistencia y Formación en Familia), Docente da F. Proyecto Cambio.
Maria Cristina Ravazzola

O Antigo Culto de Madame: Quando Terapeutas Trocam Curiosidade por Certeza

Carlos E. Sluzki[1]

Em afetuosa memória de Gianfranco Cecchin

Resumo
Uma experiência precoce de furor sanandi, a qual levou a um trágico fim, é lembrada como uma estrutura para a apresentação e discussão do tratamento de uma família onde o processo terapêutico conduzido pelo terapeuta pode ter excedido as necessidades e expectativas dos membros da família. Isto é seguido por uma discussão sobre problemas potenciais causados pela fascinação do terapeuta pelas histórias das famílias, já que seus efeitos podem ser epistemologicamente não só interrompidos, como também contraditórios àquelas recomendações de Cecchin pela “curiosidade” como um dito central da postura do terapeuta.
Palavras-chave: processo terapêutico; jogo psicótico; metas terapêuticas.


The Ancient Cult of Madame: When Therapists Trade Curiosity for Certainty

Abstract

An early experience of furor sanandi that led to a tragic end is evoked as a frame for the presentation and discussion of a family treatment where the therapeutic process led by the therapist may have exceeded the needs and expectation of the family members. This is followed by a discussion about potential problems caused by a therapist’s fascination for family stories, as its effects may be epistemologically discontinuous from, if not contradictory to, those of Cecchin’s recommendation for “curiosity” as a central dictum of the therapist’s stance.
Keywords: therapeutic process; psychotic game; therapeutic goals.

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[1] Professor, Department of Global and Community Health, College of Health and Human Services; and Institute for Conflict Analysis and Resolution, George Mason University, Fairfax/Arlington, Virginia.
Carlos E. Sluzki

Entrevista com Carlos Sluzki[1]

Interview with Carlos Sluzki

Carlos Sluzki é um dos precursores na área de Terapia Familiar. Recentemente, em abril de 2007, Sluzki esteve em Porto Alegre ministrando workshop promovido pela AGATEF. Na ocasião, conversamos sobre o seu percurso trilhado em seus anos de estudo, pesquisa e atividade clínica. Nesta entrevista, realizada pela Comissão Editorial da Pensando Famílias, conta-nos um pouco sobre isto.

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[1] Carlos Sluzki é Professor no College of Health and Human Services e no Institute for Conflict Analysis and Resolution, ambos em George Mason University, na Virginia (USA) e Professor de Psiquiatria na Escola de Medicina da George Washington University, em Washington DC.
Foi Editor da Revista Family Process e do American Journal of Orthopsychiatry e Diretor Geral do Mental Research Institute, em Palo Alto, Califórnia (USA).
Carlos Sluzki

Filhos: ter ou não ter? O que influencia essa decisão?

Danusa Orsano Leitão[1]
Maria Alexina Ribeiro[2]

Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo identificar alguns fatores que influenciam a decisão de jovens e adultos de ambos os sexos de terem, ou não, filhos. O estudo foi realizado em duas etapas: a) foi aplicado um questionário para 130 participantes, dos quais 60 tinham filhos e 70 não; b) foram entrevistados 3 casais, sendo que um teve uma filha por meio de inseminação artificial, outro planejou seus dois filhos e um terceiro casal que não desejava ter filhos. Os dados foram analisados qualitativamente e interpretados de acordo com a abordagem sistêmica da família. Os resultados mostraram alguns fatores influenciadores na decisão de ter filhos: constituição de uma família, fortalecimento da relação amorosa, perpetuação da espécie, apoio na velhice dos pais, busca de completude na maternidade, preservação de valores e ideologias. Os fatores que podem influenciar a decisão de não ter filhos são: dificuldade na criação, dispêndio financeiro, receio quanto à responsabilidade, falta de preparo psicológico para lidar com as mudanças que um filho representa.
Palavras-chave: filhos; família; casal; maternidade; paternidade.


Children: to have them or not to have them? What influences this decision?

Abstract
This survey aimed to identify few factors that influence young adults and adults of both genders decision to have or not to have children. The study was performed in two stages: a) a questionnaire was given to 130 participants, out of which 60 wanted children and 70 did not; b) three couples were interviewed, being that one had had a daughter through artificial insemination, the other had planned their two children and the third couple did not want to have any children. Data were analyzed qualitatively and interpreted in accordance with the systemic family approach. The results showed a few influencing factors on the decision of having children: raising a family, strengthening of a loving relationship, perpetuation of the species, support in the parents’ old age, search for completeness in motherhood, preservation of values and ideologies. The factors that can influence the decision not to have children are: difficulty in raising children, financial expenditures, fear toward the responsibility, lack of psychological preparation to deal with the changes that a child represents.
Key words: children; family; couple; maternity; paternity.

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[1] Psicóloga pela Universidade Católica de Brasília – UCB.
[2] Psicóloga, Terapeuta Conjugal e Familiar, Doutora em Psicologia Clínica, Professora nos cursos de Graduação e Mestrado da Universidade Católica de Brasília – UCB.
Danusa Orsano Leitão e Maria Alexina Ribeiro

Constipação X Encoprese – O Que Fazer Com o Cocô?[1] Ana Paula Siviero Pacheco[2] Resumo Este artigo discute a função do apoio familiar no tratamento de uma criança de sete anos de idade, com sintomas de Constipação Severa associada a episódios de Encoprese. Os atendimentos foram dirigidos a extirpar os sintomas apresentados há anos pela criança, que até então não havia adquirido o controle esfincteriano fecal. Na maioria dos casos, estas patologias, podem demonstrar um modo de expressar sentimentos de oposição, frustração e ansiedade. Palavras-chave: constipação; encoprese; terapia familiar. Constipation X Encopresis – What To Do With the Poo? Abstract This article discusses the function of familial support in treatment of a seven year-old child, with symptoms of Severe Constipation associated with Encopresis episodes. The sessions focused on the removal of the symptoms presented by the child for several years, who up to that time hadn´t acquired the fecal sfincterian control yet. These pathologies are often expressed by feelings of opposition, frustration and anxiety. Keywords: constipation; encopresis; familial therapy. ———————— [1] Trabalho de conclusão do Curso de Formação em Terapia de Família no DOMUS – Centro de Terapia de Casal e Família, dezembro de 2006. Helena Centeno Hintz, orientadora do trabalho de conclusão. [2] Psicóloga, formanda do Curso de Formação em Terapia de Família do DOMUS. Ana Paula Siviero Pacheco Clique aqui para o texto completo
Comentários sobre Constipação x Encoprese – O que fazer com o cocô? Encoprese em Psicoterapia Comments about Constipation x Encopresis – What to do with the poo? Encopresis in Psychoterapy Iara L. Camaratta Anton[1] Introdução Em primeiro lugar, parabenizo a autora, Psicóloga Ana Paula Siviero Pacheco, pelo excelente estudo a respeito desse relevante assunto, ainda tão pouco examinado pela Medicina e pela própria Psicologia. Agradeço ao DOMUS e à Comissão Editorial da Revista Pensando Famílias a oportunidade de comentá-lo e de tecer mais algumas considerações sobre “Encoprese em Terapia”. ———————— [1] Psicóloga. CRP 07/0370. AGATEF 275. Psicoterapeuta Individual, de Casais e de Famílias. Membro do Comitê de Psicoterapia de Casal e de Família da SPRGS. Autora dos livros: A Escolha do Cônjuge – um Entendimento Sistêmico e Psicodinâmico (ARTMED); Homem e Mulher – seus Vínculos Secretos (ARTMED); Cegonha à Vista! E agora, o que vai ser de mim? (Editora EST). Iara L. Camaratta Anton Clique aqui para o texto completo

O Casamento na Contemporaneidade: Construindo Espaços para o Eu e o Nós na Relação[1]

Maria Isabel Wendling[2]

Resumo
O presente artigo apresenta alguns aspectos importantes do relacionamento conjugal, salientando a necessidade de um novo tipo de construção dos espaços individuais e conjugais dos casais em nossa sociedade nos dias atuais. Para isto, inicialmente foi feita uma breve revisão teórica sobre o casamento na contemporaneidade e sobre as características e as expectativas apontadas por homens e mulheres no nosso contexto social. Após, foram trazidos aspectos referentes à construção da identidade conjugal e os benefícios e as dificuldades encontradas para lidar com o casamento no decorrer dos anos. Por fim, foi apresentado um caso clínico, que ilustra um dos atendimentos em terapia de casal realizado no Centro de Estudos da Família e do Indivíduo (CEFI). O exemplo trazido caracteriza o processo de retomada do vínculo conjugal num casal de meia-idade, compreendido a partir do ponto de vista sistêmico.
Palavras-chave: casamento; contemporaneidade; identidade conjugal e individual.


Marriage in Contemporaneity: Building Spaces for the I and Us in the Relationship

Abstract
The present article presents some important aspects of the marital relationship, emphasizing the construction of individual and marital spaces of couples in our present-day society. For this, a brief theoretical review was initially done on contemporary marriage and on the characteristics and expectations pointed out by men and women in our social context. Later, aspects related to the construction of marital identity, the benefits and the difficulties found in dealing with marriage through the years were brought into discussion. Finally, a clinical case was presented, illustrating a couple’s therapy process, that occurred in a Family and Individual Studies Center in Porto Alegre. The example given characterizes the return process of a middle-aged couple, from the system´s point of view.
Keywords: marriage; contemporaneity; marital and individual Identity.

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[1] Trabalho realizado como requisito para conclusão do curso de formação em Terapia de Família e Casal no Centro de Estudos da Família e do Indivíduo (CEFI).
[2] Psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica – RS (PUCRS), Coordenadora do Setor de Psicologia da AACD-RS, Formada no Curso de Terapia de Família e Casal no CEFI em 2004.
Maria Isabel Wendling

As Relações de Gênero e a Violência no Processo de Mediação Familiar

Stella Galbinski Breitman[1]

Resumo
O presente artigo discute aspectos das relações de gênero relacionados à violência e que interferem no processo de Mediação Familiar. Trata-se de uma busca de maior compreensão da complexidade das problemáticas que envolvem a violência. Isto implica também o reconhecimento de alternativas, não ortodoxas, para trabalhar os conflitos, como, por exemplo, a Mediação Familiar. Esta é apresentada como adequada, em casos de separações, divórcios ou dissolução de união estável, procurando manter o equilíbrio de poder, nas relações de gênero, entre homem e mulher. São abordados os aspectos relativos às desigualdades de gênero e discutido o sentido de igualdade e diferença. Considera-se que as relações de poder precisam ser desmistificadas, principalmente em relação à hegemonia do homem sobre a mulher, já que, sem paridade de poder, o processo de Mediação Familiar pode se transformar em uma farsa.
Palavras-chave: mediação; violência; gênero.


Gender Relationships and Violence in the Process of Family Mediation

Abstract
This article discusses aspects pertaining to violence-related gender relationships which interfere with the process of Family Mediation. It aims at reaching a more comprehensive understanding of the complex issues involved in violent behavior. That also implies acknowledging unorthodox alternatives for conflict resolution, such as Family Mediation, for example. Said alternative is presented as an adequate approach in cases of separation, divorce or dissolution of stable unions, in an effort to maintain the balance of power in gender relationships between men and women. Aspects regarding gender inequality are discussed, and so is the meaning of equality and inequality. It is our opinion that there is a need to demystify power relationships especially when it comes to male hegemony over women considering that, in the absence of power balance, the Family Mediation process is likely to turn into a farce.
Keywords: mediation; violence; gender.

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[1] Psicóloga, Mediadora Familiar, Mestre em Psicologia Social e da Personalidade – Pontifícia Universidade Católica – RS.
Stella Galbinski Breitman

Desafios da formação em terapia familiar: O ponto de vista dos formadores

Laíssa Eschiletti Prati[1] e Sílvia Helena Koller[2]

Resumo
O presente artigo apresenta os principais desafios do processo de formação no Brasil, na opinião dos formadores que participaram do VI Encontro de Formadores, em 2005. Quarenta e quatro profissionais preencheram um questionário semi-estruturado, investigando os componentes principais do processo de formação, os autores “indispensáveis”, as características esperadas em aluno, e, os desafios enfrentados pelos formadores neste processo. Os resultados indicam que a formação em terapia de família envolve a integração entre teoria, prática e trabalho do self, permitindo o desenvolvimento da pessoa do terapeuta para articular teoria e prática. Nenhum formador apresentou um único autor como indispensável à formação. Algumas características dos alunos apontadas indicam abertura ao novo, flexibilidade, coerência e comprometimento ético. O principal desafio da formação é, segundo os formadores de família brasileiros que participaram deste estudo, “ajudar os alunos a começarem como cópias e terminarem como originais”.
Palavras-chave: terapia familiar, formação do psicoterapeuta, desafios.


Challenges in the family therapy education: the professors’ point of view

Abstract
This paper presents the main challenges in the family therapy education process in Brazil, according to the professors who were at the VI Professors Meeting, in 2005. Forty-four professionals completed a semi-structured survey, researching the main components in the education process, “indispensable” authors, student characteristics, and the challenges for the professors in this process. The results show that the education process in family therapy deals with the integration of theory, practice, and self-work, allowing the development of the therapist’s self to articulate theory and practice. None of the professors presented only one author as indispensable to his/her formation. Some of the mentioned student characteristics indicated openness to new ideas, flexibility, coherence and ethics commitment. According to the Brazilian professors of family therapy that participated in this study, the main challenge in the education process is to “help students to begin as copies and finish as originals”.
Keywords: family therapy, psychotherapist education, challenges.

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[1] Psicóloga, Terapeuta de Família; Doutoranda do PPG em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bolsista do CNPQ.
[2] Psicóloga, Professora do PPG em Psicologia UFRGS.
Laíssa eschiletti Prati e Silvia Helena Koller

Tom Andersen – Contribuições e Práticas

Tom Andersen – Contributions and Experiencies


Helena Centeno Hintz[1]

“Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.”
Fernando Pessoa

Tom Andersen, falecido em maio de 2007, deixou-nos importantes contribuições, estudos e desafios no campo da terapia de família. Era psiquiatra, e professor no Instituto de Medicina Comunitária de Tromso, Noruega. Demonstrava respeito e confiança no trato com as pessoas. Mostrava-se muito acessível, procurando divulgar suas idéias de forma tranqüila e cuidadosa. Através de suas contribuições, demonstrava uma preocupação em ajudar a construir um mundo mais humano.
Nos últimos anos dava conferências e consultorias em vários países. Pode-se dizer que seu pensamento e sua obra seguiam a teoria da construção social. Dentro desta teoria, as idéias e pensamentos surgem do relacionamento social mediado pela linguagem. Dessa forma, todo o conhecimento se procede no espaço relacional e somente através da conversação entre as pessoas é que o indivíduo pode desenvolver uma identidade e uma voz interior.

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[1] Psicóloga, Psicoterapeuta Individual, de Casal e Família. Coordenadora, docente e supervisora do DOMUS – Centro de Terapia de Casal e Família. Presidente da Associação Gaúcha de Terapia Familiar – 2002-2004 e 2006-2008. Vice-Presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar – 2006-2008. Editora da Revista Pensando Famílias.
Helena Centeno Hintz

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