Pensando Famílias vol. 14, nº 1

A Pensando Famílias vol. 14, nº 1 apresenta artigos com destaque para textos clínicos e pesquisas sobre temas de casal e família.
Os autores nacionais escrevem sobre divórcio destrutivo, relações entre sogra e nora, avós, amor, limites, bulliyng, vínculos familiares, práticas educativas, adolescentes, clínica e serviço social.
Jan Bout, S. Systema e J. Rankin relatam seu trabalho com casais realizado na Holanda, tema de curso ministrado por J. Bout no IX Congresso Brasileiro de Terapia Familiar.

A era atual que estamos vivendo caracteriza-se por mudanças rápidas, de uma necessidade das pessoas terem constantemente novas informações. Talvez a dimensão destas mudanças que enfrentamos só poderemos avaliar daqui a algum tempo, depois de vivenciá-las de forma cotidiana. Esta era caracteriza-se pela Informação e o Conhecimento. A diferença entre o conhecimento e a informação é que o conhecimento possibilita a utilização das informações recebidas e o conhecimento pertence somente ao homem. Cabe somente a ele o pensar, ser criativo, ter ideias. A partir do pensar e discutir ideias abre-se a possibilidade de construir um mundo mais saudável, com melhor qualidade de vida. O profissional, que dedica parte de seu tempo à escrita de suas experiências, contribui diretamente para ampliar o conhecimento, possibilitando que outros as usufruam produtivamente.
Nesta edição temos pesquisas baseadas em experiências da prática clínica e fundamentadas em conteúdo teórico que têm a possibilidade de acrescentar novos conhecimentos à teoria já conhecida.

Jan Bout, S. Systema, J. Rankin apresentam um tratamento de grupo com casais que sofrem de doenças psiquiátricas não psicóticas, disfunções de personalidade ou problemas complexos em seu relacionamento conjugal. Este programa teve início em uma área rural da Holanda, em 1991, e já foram atendidos 415 casais até o presente momento. Os autores descrevem como este atendimento acontece e qual é a lógica que o sustenta.
Mariana Juras e Liana Costa apresentam pesquisa qualitativa sobre divórcio destrutivo com filhos pequenos incluindo a transgeracionalidade. Algumas das conclusões que as autoras levantaram foram dificuldades em reconhecer a diferença entre os papéis parentais e conjugais, extensão da disputa conjugal no contexto jurídico, prevalecendo esta disputa sobre os cuidados necessários que devem ser dedicados aos filhos. Observaram também triangulações variadas e a existência de paradoxos entre filhos, familiares e profissionais da Justiça.

M. Sattler, A. Vidal, E. Corral, A. Alves, E. Camelier, C. Giongo, G. Bronzatti, L. Prati L. Dellazzana, L. Hornos, P. Baginski, S. Halpern, C. Menezes, G. Bichinho, G. Luz, A. Soares escrevem em conjunto sobre o relacionamento sogra/nora. Este é um relacionamento complexo, envolvendo díades familiares com questões variadas de entendimento. As autoras fazem uma revisão bibliográfica, focando questões importantes sobre o papel da mulher na sociedade, sobre poder e gênero, família de origem e o próprio ciclo de vida familiar.

Luiz R. de Oliveira traz trabalho realizado com avós, mães e netos que vivem juntos. Utiliza a prancha quatro do SAT- Senior Apperception Technique – (Bellack, 1992), analisando qualitativamente os resultados obtidos. Chegou a interessantes conclusões sobre a imagem que o idoso tem na família e suas possibilidades no convívio familiar.

Andrea Orives, Nara M. B. Cardoso e Ronalisa Torman escrevem sobre o amor nas relações conjugais, pensando sobre qual é o seu significado na vida dos casais contemporâneos. Unem a pesquisa bibliográfica com a prática clínica, e refletem sobre questões relacionadas ao amor, concluindo sobre a necessidade dos casais construírem um espaço, onde possam dialogar e expressar adequadamente seus sentimentos e necessidades. Cristina Aragonez, Virginia Wassermann e Blanca Werlang escrevem sobre pesquisa realizada com um instrumento que tem a finalidade de conhecer a percepção que crianças e pré-adolescentes têm sobre o funcionamento familiar em que estão vivendo. Utilizam o FAT – Teste de Apercepção Familiar e o estudo tem como base a teoria sistêmica. As autoras relatam os resultados obtidos sobre o funcionamento familiar, concluindo que a forma como eles resolvem os conflitos, é que irá determinar se o sistema é funcional ou não.

As autoras Letícia Dellazzana, Marli Sattler e Lia Beatriz Freitas escrevem sobre um tema bastante discutido atualmente: o bullying. Este comportamento relacionado com comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos que ocorrem em relações desiguais de poder. Neste trabalho apontam a importância sobre a inclusão da família para realizar intervenções efetivas sobre o bullying.

Patrícia M. Colossi escreve sobre o estabelecimento da vinculação familiar e como esta define as outras relações, assim como as relações durante o proceso terapêutico. Fundamenta-se na teoria sistêmica, incluíndo a descrição de um caso clínico, refletindo sobre a ressonância do terapeuta no processo terapêutico. Olga Rodrigues, Mariana Carrara, M. Estela Palamin e Alessandra Bolsoni-Silva apresentam um estudo realizado com mães e filhos que possuem deficiência auditiva. A investigaram habilidades parentais e estilos parentais.

Janine Chiarelo e Ana Paula Karkotli apresentam pesquisa realizada com adolescentes frente ao programa de assistência social quando buscam seu primeiro emprego. Ao concluir o trabalho, escrevem que os adolescentes acreditam no auxílio proporcionado pelo programa, levando em conta o apoio da família. Heliete Karam traz suas reflexões sobre a clínica do trabalho na abordagem com a família. Pretende dar sua contribuição teórica ao debate sobre clínica e práticas terapêuticas no do Serviço Social.


Helena Centeno Hintz

O Monstro do Meio: Trabalhando com Casais em um Tratamento Grupal Intensivo

Jan Bout[1]
S. Systema[2]
J. Rankin[3]

Resumo

Neste artigo está descrito um programa de tratamento grupal intensivo para casais que sofrem de doenças psiquiátricas não psicóticas, disfunções de personalidade e/ou problemas complexos de relacionamento conjugal. Geralmente, um dos parceiros tem uma longa história de atendimento na saúde mental. Esta história de intervenções geralmente inclui ao menos algumas sessões de terapia conjugal, entretanto sem sucesso suficiente. Estes casais são parte de um grupo de pacientes da saúde mental que pode ser descrito, ou se descreve como: “tudo foi feito, mas nada realmente ajudou”. O programa de tratamento grupal intensivo iniciou em 1991 e, até fevereiro de 2004, 415 casais foram tratados em 91 grupos. Apesar do Centro para Problemas Relacionais estar situado em uma área rural do nordeste da Holanda, os casais são encaminhados de todo o país. Isso demonstra que é necessário um tratamento intensivo para casais em um setting de internação. Além disso, pelo menos no que se sabe, esse tipo de tratamento não existe em outro lugar do mundo. Nesse artigo serão apresentados detalhes do programa e a lógica que o sustenta.
Palavras-chave: terapia de casal; tratamento grupal; tratamento intensivo; abordagem integrativa.


The Monster in Between: Working with Couples in Intensive Group Treatment

Abstract

In this paper we elaborate on an inpatient clinical group program for couples suffering from non-psychotic psychiatric disorders, personality disorders and/or complex partner relational problems. In general one of the partners has a long history in mental health care. The intervention history often includes at least some sessions of couple therapy, but without sufficient success. These couples are part of that group of mental health patients that can be described as, or describe themselves as: ‘everything was done but nothing really helped’. The clinical inpatient couple group program was initiated in 1991 and to date (February 2004) 415 couples have been treated in 91 groups. Although our Center for Relational Problems is situated in a rural area in the northern part of the Netherlands, these couples are referred from all over the country. This proves that there is a need for highly intensive couple treatment in an inpatient setting. Nevertheless, as far as we know, this type of treatment does not exist anywhere else in the world. In this paper we will give details of the program and the rationale behind it.
Keywords: Couple therapy, group treatment; inpatient care; integrative approach.

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[1] Psicoterapeuta, coordenador do “Expertise Center for Relational Problems “De Keerkring”.
[2] Doutora em Sociologia. Departamento de Psiquiatria, University Medical Center Groningen.
[3] Psicólogo Senior. East London South Africa.


Aspectos Transgeracionais no Divórcio Destrutivo[1]

Mariana Martins Juras[2]
Liana Fortunato Costa[3]

Resumo

Trata-se de uma pesquisa qualitativa sobre os papéis parentais e conjugais no divórcio destrutivo com filhos pequenos, privilegiando a questão transgeracional deste tema. O divórcio destrutivo refere-se a uma dinâmica familiar violenta em que prevalecem sentimentos agressivos entre os ex-cônjuges, incluindo terceiros no conflito. A fundamentação foi a Teoria Familiar Sistêmica. Participaram da pesquisa três famílias divorciadas que entraram na Justiça buscando a regularização judicial da guarda e visita dos filhos, todos eles com menos de 12 anos idade. Os instrumentos utilizados foram: entrevistas semiestruturadas com as famílias e genograma familiar. Os resultados evidenciaram a dificuldade de diferenciação dos papéis parentais e conjugais, a disputa conjugal perpetua-se no contexto jurídico, além de ser privilegiada em detrimento dos cuidados parentais. A forma de comunicação predominante entre os ex-cônjuges é a escalada simétrica, há presença de paradoxos e triangulações, com os filhos, os familiares e os profissionais da Justiça.
Palavras-chave: Psicologia Jurídica; divórcio destrutivo; papéis parentais; papéis conjugais.


Transgenerational Aspects in the Destructive Divorce

Abstract


The paper deals with a qualitative research about the parental and marital roles in the destructive divorce with small children, with emphasis on its transgenerational aspects. The destructive divorce refers to a violent family dynamics in which aggressive feelings prevail between the former spouses, including third parties in the conflict. The theoretical basis was the Systemic Familiar Theory. Three divorced families, with legal proceedings to obtain the judicial regularization of the guard and visiting children, all under 12 years old, participated in this research. Semi-structured interviews with the families and familiar genogram were applied as instruments. The results pointed out the difficulty of differentiating the parental and marital roles, the marital dispute perpetuates in the juridical context, and is privileged in detriment of parental care. The prevailing way of communication between the ex-spouses is the symmetric escalation, and there is paradox and triangulation regarding children, family and law professionals.
Keywords: Juridical Psychology, destructive divorce, marital roles, parental roles.

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[1] Este texto está baseado na Dissertação de Mestrado “Papeis Conjugais e Parentais na Situação de Divórcio Destrutivo com Filhos Pequenos” realizada pela primeira autora e orientada pela segunda autora, defendida perante o Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília.
[2] Psicóloga da Coordenação para Assuntos da Mulher do Distrito Federal da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Distrito Federal. Mestre em Psicologia Clínica pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica e Cultura/IP/UnB. Atualmente cursando a Formação em Terapia Conjugal e Familiar pelo INTERPSI/UCG.
[3] Psicóloga, Terapeuta Conjugal e Familiar, Psicodramatista. Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo. Docente Permanente do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica e Cultura PSICC/PCL/IP/UnB.

Uma Boa Relação entre Sogra e Nora Pode Ser Possível?

Marli K. Sattler[1]
Ana Carolina Vidal[2]
Edna Corral[2], Andréa P. Alves[2], Elisabete Camelier[2], Cristina Z. Giongo[2], Graziele Bronzatti[2], Laíssa E. Prati[2], Letícia L Dellazzana[2], Lília G. Hornos[2], Paula H. Baginski[2], Sílvia C. Halpern[2], Clarissa Menezes[3], Gabriela Bichinho[3], Gisele L. Luz[3], Alessandra de M. Soares[3].

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo a reflexão sobre questões ligadas ao relacionamento sogra/nora na contemporaneidade, com embasamento em revisão bibliográfica. Essa relação é considerada uma das mais conflituadas entre as díades familiares. Trata-se de um tema amplo e complexo e que permite um olhar sob várias perspectivas. Porém, este texto, se propõe a focar questões que influenciam a construção dessa relação, tais como o papel da mulher ao longo da história, questões de poder e gênero, a família de origem e o ciclo de vida familiar.
Palavras-chave: relação sogra/nora; papel da mulher; família de origem.


Is a Good Relation Between In-Laws Possible?

Abstract

The present paper aims to reflect about issues related to mother-in-law and daughter-in-law relationship, based on literature review. This relation is considered the most conflicted among the family dyads. The subject is wide and complex, allowing to be looked from different perspectives. However, the focus of this paper is to discuss issues influencing the construction of this relationship, such as, female roles throughout history, power and gender issues, family life cycle and family of origin.
Keywords: mother-in-law and daughter-in-law relationship; female role; family of origin.

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[1] Coordenadora do Domus, Centro de Terapia de Casal e Família e da Equipe do Corpo Clínico desta instituição.
[2] Terapeutas de família e membros da Equipe do Corpo Clínico do Domus, Centro de Terapia de Casal e Família.
[3] Terapeutas de família, colaboradoras do presente artigo.
M. K. Sattler, A. C. Vidal, E. Corral, A. Alves, E. Camelier, C. Giongo, G. Bronzatti, L. Prati, L. Dellazzana, L. Hornos, P. H. Baginski, S. C. Halpern, C. Menezes, G. Bichinho, G. Luz, A. Soares

O Que Se Aprende com os Avós: Uma Perspectiva Familiar Geracional

Luiz Ronaldo F. de Oliveira[1]

Resumo

O que se aprende com os avós numa perspectiva familiar trigeracional, foi investigado, a partir de entrevistas com avós, mães e netos que coabitam. O estímulo utilizado foi a prancha quatro do SAT – Senior Apperception Technique – (Bellack, 1992), mediante a qual os participantes contaram uma história que foi sistematizada topicamente. Os resultados analisados qualitativamente revelaram do ponto de vista de cada geração a imagem do idoso na família, o aprendizado de valores internalizados e a convivência com o idoso no cotidiano da família.
Palavras-chave: avós; geracional; família; aprendizagem.


What Is Learnt with the Grandparents: A Family Generational Pesrpective

Abstract

What is learnt with grandparents in a three generetional family perspective, was investigated through interviews with grandparents, mothers and grandchildren that live in the same house. The stimulus used was a board four of the SAT – Senior Apperception Technique – (Bellack, 1992), by which the participants told a story that was systematized topically. The results analized qualitatively showed from the point of view of each generation the image of the elder in the family, the learning of internalized values, and the day-by-day process of acquaintanceship with the family’s elder.
Keywords: grandparents; generational; family; learning.

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[1]Psicólogo, Filósofo, Teólogo, Professor e Coordenador Adjunto da Escola de Psicologia da Faculdade Meridional de Passo Fundo, Especialização em Psicologia Clínica pela Faculdade Meridional-IMED (2007), Mestrando em Psicologia Clínica pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS (2009). Coordenador do Grupo de Estudos Intitulado: Mediação de Conflitos Familiares junto à Faculdade Meridional.

(Re)Pensando o Amor no Relacionamento Conjugal: a partir de uma Abordagem Sistêmica

Andrea da Luz Orives[1]
Nara Maria Batista Cardoso[2]
Ronalisa Torman[3]

Resumo

O presente estudo tem como objetivo investigar, a partir de uma Abordagem Sistêmica, qual o significado do amor na vida dos casais contemporâneos. A partir de pesquisa bibliográfica e da prática clínica, identificou-se um esvaziamento do valor social e psicológico do amor, refletindo nos relacionamentos. Segundo Anton (2000), a Teoria Sistêmica busca um entendimento altamente construtivo, na medida, que descarta rótulos e classificações, dedicando-se a examinar, o funcionamento do sistema familiar e detendo-se de um modo especial, nos “como” e nos “para quês” das incontáveis trocas, estabelecidas, nos relacionamentos interpessoais. A reflexão sobre o assunto se dá a partir do estágio curricular, realizado no CIP, Feevale (Centro Integrado de Psicologia), que compreendeu março de 2008 a novembro de 2009. São apresentados vários recortes clínicos, e a partir da vivência desta prática terapêutica, percebeu-se a necessidade e a importância de pacientes construírem um espaço para dialogarem e para expressarem seus sentimentos.
Palavras-chave: amor; relacionamento conjugal; abordagem sistêmica.


Re-Thinking the Love in a Marital Relationship: Based in a Systemic Approach

Abstract

The present study aims to investigate from a systemic approach, what the meaning of love on the contemporary’s couples’ lives. From a bibliographic research and clinical practice, they have identified a dissection of the love in social and psychological aspects, reflecting on the relationships. As per Anton (2000), the systemic theory seeks a highly constructive understanding, as it discards labels and classifications, dedicating themselves to examine the functioning of the family system and focusing specially on the “how’s and why’s” from the countless trades, established in the interpersonal relationships. The reflection on the subject starts from the curriculum stage, performed at the CIP, Feevale (Integrated Center of Psychology) which comprised March 2008 to November 2009. There were presented several clinical clippings and from the experience in this therapeutic practice, it was realized the necessity and importance of the patients to build a space for dialogue and express their feelings.
Keywords: love; marital relationship; systemic approach.

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[1]Psicóloga, Ênfase em Saúde Mental e Desenvolvimento pela Universidade Feevale – Novo Hamburgo – RS, pós-graduanda em Psicoterapia Familiar e de Casal pela Universidade do Vale do Vale dos Sinos (Unisinos).
[2]Mestre em Psicologia Social e da Personalidade – PUC/RS. Psicóloga, Especialista em Terapia de Casal e Família. Professora do Centro Universitário Feevale- Novo Hamburgo – RS.
[3] Mestre em Ciências Sociais Aplicadas – UNISINOS. Psicóloga, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Professora do Centro Universitário Feevale – Novo Hamburgo – RS. Coordenadora do Núcleo de Atendimento e Extensão em Psicopedagogia – NAEP. Centro Universitário Feevale – Novo Hamburgo – RS.

Fronteiras: Uma Percepção de Crianças e Pré-adolescentes dos Limites Familiares

Cristina Fiad Aragonez[1]
Virginia Graciela Wassermann[2]
Blanca Susana Guevara Werlang[3]

Resumo

O presente trabalho busca identificar a percepção de crianças e adolescentes sobre o funcionamento familiar no qual estão inseridas. Participaram do estudo 16 sujeitos de 6 a 13 anos. Os instrumentos utilizados foram: ficha de dados sócio-demográficos, com o intuito de caracterizar os sujeitos; os Testes Matrizes Progressivas Coloridas e Escala Geral de Raven, para excluir participantes com suspeita de comprometimento intelectual; e o instrumento projetivo, Teste de Apercepção Familiar – FAT, desenvolvido com base na teoria sistêmica. Foram avaliados, através do FAT, as categorias que se referem aos tipos de conflitos, a resolução dos mesmos, a comunicação e aos tipos de Fronteiras que permeiam as relações familiares identificadas. Os conflitos familiares foram os mais freqüentes, juntamente com a resolução positiva destes. As Fronteiras apareceram como nítidas e a comunicação prevalente nessas famílias foi aberta. Esses resultados sugerem que esse tipo de conflito faz parte da dinâmica familiar, mas a forma em que são resolvidos é o que determinará se o sistema funciona de maneira adequada e saudável. Com relação às idades dos sujeitos participantes, observou-se diferença nos resultados, refletindo as particularidades de cada fase do desenvolvimento em que se encontram.
Palavras-chave: Teste de Apercepção Familiar; percepção do funcionamento familiar; fronteiras.


Borders: Perception of Children and Adolescents about Family´s Limits

Abstract

The current work seeks to identify the perception of children and adolescents about the way the family they are in works. Sixteen children between 6 and 13 have participated the study. The following tools were used for this work: A social- demographical data sheet in order to carachterize them, the Colorful Progressive Matrix Tests, and the Raven General Scale to exclude participants with suspicion of intellectual impairment, and the projective tool, Familiar Apperception Test, developed based on the systemic theory. Through the FAT, the categories related to the kinds of conflicts were evaluated, their resolutions, the communication ans the kinds of borders that permeate the identified families. The family conflicts were the most frequent, together with their positive resolutions. The borders clearly appeared and the communication prevalent in these families was open. These results suggest that this kind of conflictit is part of the familiar dynamics, however the way they are solved will determine if the system works properly and in a healthy way. Considering the age of the participants, a difference in the results was observed, reflecting the particularities of each development stage in which they are.
Keywords: Familiar Apperception Test, perception of the family functioning, borders.

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[1] Psicóloga Clínica, Especializanda do 3º ano em Terapia de Casal e Família no DOMUS – Centro de Terapia de Casal e Família.
[2] Psicóloga Clínica, Mestranda em Psicologia Clínica (CAPES/PUCRS), Especializanda do 3º ano em Terapia de Casal e Família no DOMUS – Centro de Terapia de Casal e Família.
[3] Psicóloga Clínica, Doutora em Ciências Médicas/Saúde Mental (UNICAMP). Professora Adjunta da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Orientadora.

A Importância da Inclusão da Família na Intervenção contra o Bullying

Letícia Lovato Dellazzana[1]
Marli Kath Sattler[2]
Lia Beatriz de Lucca Freitas[3]

Resumo

O bullying está relacionado a todas as formas de comportamentos agressivos, intencionais e repetidos, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), as quais ocorrem em uma relação desigual de poder, sem motivação evidente. Tradicionalmente, intervenções focadas na escola têm sido a normativa para resolver problemas relacionados ao bullying. Todavia, a família também deve ser envolvida para que o problema possa ser totalmente resolvido. Assim, o objetivo deste artigo é apresentar uma revisão de literatura sobre o tema, abordando a importância da família como foco de intervenção quando um de seus membros está sendo vítima de bullying.
Palavras-chave: bullying, vítima; família; intervenção.


The Importance of the Family in the Action Against Bullying

Abstract


Bullying is related to all forms of aggressive, intentional and repeated behaviors, made by one or more students against one or more others and executed within a power-imbalance relationship with no clear motivation. Although traditionally interventions are carried out within the school, the family should also be involved because it plays a vital role if the situation is to be fully resolved. This paper aims to review the literature on the subject, focusing on the importance of the family as the focus of intervention when one of its members is a victim of bullying.
Keywords: bullying; victim; family; intervention.

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[1] Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica pelo CFP, Psicoterapeuta Individual, de Família e de Casal, Mestre e Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
[2] Psicóloga, Especialista em Psicologia Clínica pelo CFP, Psicoterapeuta Individual, de Família e de Casal, Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Docente, Supervisora e Coordenadora do DOMUS.
[3] Psicóloga, Professor Associado do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Trabalhando com Vínculos Familiares: O Caminho do Vínculo

Patrícia Manozzo Colossi[1]

Resumo

Trabalhar com famílias é trabalhar com vínculos, estando estes, irrevogavelmente, atrelados à prática clínica em psicoterapia familiar. Este artigo procura discutir o modo como se estabelece a vinculação familiar desde muito cedo, como isso define as relações e o modo como, mais tarde, se apresenta o estabelecimento de vínculos no contexto terapêutico. Para tanto, desenvolve-se um breve apanhado bibliográfico apoiado em autores da teoria sistêmica, o que auxilia na elaboração deste compilado de ideias. Inclui-se o estudo de um caso clínico e finaliza-se apresentando ideias referentes à ressonância do terapeuta, profissional que deve funcionar como um permanente estudioso de seus próprios vínculos familiares, já que é parte, de qualquer modo, do processo terapêutico que se estabelece.
Palavras-Chave: vínculo; terapia familiar; figuras substitutas; psicoterapeuta de família.


Working with Family Bonds: The Bond Way

Abstract


Working with families is working with bonds, what is, irrevocably, tied up with clinical practice in family psychotherapy. This article aims to discuss the way the family bond is established very early, how it defines the relationships and how, later, it is present in the establishment of bonds in the therapeutic context. For this purpose, there is a brief bibliographical overview based on authors of the systemic theory that helps in the development of this compilation of ideas. We included one clinical case study and finished by bringing ideas related to the resonance of the therapist, a professional figure who must work as a permanent scholar of his own family bonds, as he is part, any way, of the established therapeutic process.
Keywords: bond; family therapy; substitutive figures; family therapist.

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[1] Patrícia Manozzo Colossi é Psicóloga Clínica e Especialista em Psicoterapia Familiar e de Casal (Unisinos).

Práticas Educativas Parentais: A Deficiência Auditiva Pode Fazer a Diferença?

Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues [1]
Mariana Pinotti Carrara[2]
Maria Estela Guadagnucci Palamin [3]
Alessandra Turini Bolsoni-Silva[4]

Resumo

Este estudo analisou a influência da deficiência auditiva (DA) dos filhos na forma como mães lidam com eles (entre cinco e doze anos). Investigaram-se habilidades sociais educativas parentais (HSE-Ps) e estilos parentais, comparando-se em dois estudos: 1) práticas educativas parentais de mães ao lidarem com filhos com e sem DA e, 2) tais práticas, quando usadas junto a filhos com DA e junto a filhos sem DA. Os resultados mostraram que a DA parece alterar HSE-Ps como: expressar opiniões, fazer perguntas (Estudo 1) e estabelecer limites (Estudos 1 e 2), assim como práticas de monitoria negativa (Estudo 1), comportamento moral, punição inconsistente, disciplina relaxada, abuso físico e, inclusive, estilos parentais (Estudo 2).
Palavras-chave: deficiência auditiva; habilidades sociais educativas; inventário de estilos parentais; práticas parentais.


Parental Educational Practices: Can the Hearing Impairment Make Them Different?

Abstract


This study analyzed the influence of the hearing impairment (HI) of children in the way their mothers treat them (between 5 and 12 years old). Two studies were carried out to investigate the social – educational parental practices (SEPP) and parental styles. The first study observed the parental educational practices of mothers dealing with children with and without HI, and the second study tried to verify whether mothers acted different in these same practices when considering either children with HI or children without HI. The results have shown that HI seems to modify SEPP concerning expressing opinions, asking questions, (Study 1) and setting limits (Studies 1 and 2), as well as practices of negative monitoring (Study 1), moral behavior, inconsistent punishment, discipline absence, physical abuse and, also, Parental Styles (Study 2).
Keywords: hearing loss; education; social skills; parental styles.

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[1] Profa. Adjunta do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru/SP. [2] Especialista em Psicologia Clínica pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, USP, Bauru. [3] Psicóloga do Centro de Atendimento aos Distúrbios da Audição, Linguagem e Visão (CEDALVI) do HRAC/USP, Bauru, SP. [4] Profa. Assistente Dra. da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Bauru/SP.

A participação de Jovens em um Programa de Assistência Social: Resignação Ou Possibilidade?[1]

Janine Chiarelo[2]
Ana Paula Balbueno Karkotli[3]

Resumo

O Programa do Adolescente Josefense (PROAJ) é uma das oportunidades oferecidas aos adolescentes do município de São José que faz parte como um dos Programas de Assistência Social proporcionados pela Secretaria da Ação Social. O PROAJ visa auxiliar a inserção profissional de jovens em situação de vulnerabilidade social, com a condição de que os mesmos frequentem a escola. O artigo visa compreender quais as percepções dos adolescentes frente ao programa de assistência social na busca de seu primeiro emprego. A metodologia utilizada para pesquisa caracterizou-se pela relação direta do pesquisador com seus sujeitos e local pesquisados, através da pesquisa participante. Percebeu-se, através deste estudo, que os adolescentes acreditam no programa como um auxílio real para sua entrada no mercado de trabalho da melhor forma possível, levando em conta o apoio de suas famílias, bem como atendendo suas expectativas para crescimento pessoal e profissional através da oportunidade de participação no PROAJ.
Palavras-chave: assistência social; adolescência; primeiro emprego.


The Participation of Youth in a Program of Social Assistance: Resignation or Possibility?

Abstract

The Program for Adolescents from São José (PROAJ) is one of the Programa de Assistência Social opportunities offered to teenagers from São José city amongst other Social Assistance Programs provided by the Social Work Department. PROAJ has the goal to help youngsters in social vulnerability condition to achieve professional inclusion as long as they attend school. The present research aimed to understand the teenagers’ perceptions towards social assistance program facing their first jobs. The methodology was based on the direct relationship of the researcher with the subjects and places studied. Through this study we realized that teenagers believed in the program as a real support for their entrance in the job market, as the program reached their expectations for personal and professional growth, and take into consideration the support from their families.
Keywords: social assistance; adolescence; first job.

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[1] Relato baseado através da pesquisa realizada para o Trabalho de Conclusão do Curso de Psicologia.
[2] Psicóloga. Formada pela UNIVALI – Universidade do Vale de Itajaí.
[3] Professora orientadora. Mestre em Saúde e Gestão do Trabalho.

 
 

Clínica e Serviço Social: Uma Contribuição ao Debate

Heliete Karam[1]

Resumo

Este artigo resulta de dois textos publicados pela autora no blog praticasterapeuticass (2009), agora revisados num só documento acrescido de uma reflexão sobre a clínica do trabalho e sua relação com a abordagem da família. O objeto desta análise é a noção de clínica e, seu objetivo, dar uma contribuição teórica ao debate sobre clínica e práticas terapêuticas no serviço social. Apoiado numa determinada classificação das ciências, o artigo evoca os princípios norteadores do percurso de pioneiras do trabalho social, abre para a sua re-significação e indica a necessidade de um profundo balanço do estado da arte da profissão com vistas, inclusive, à reabertura da discussão sobre a revisão curricular, o nome da profissão (serviço social) e a denominação do título (assistente social) no Brasil.
Palavras-chaves: serviço social clínico; clínica e trabalho social; clínica, práticas terapêuticas e serviço social.


Clinical and Social Work: A Contribution to the Debate

Abstract


This article issues from two papers published by the author in the blog praticasterapeuticass (2009), now revised and converted into only one document expanded by a consideration about the work’s clinical and its rapport to family’s approach. This analysis focuses a discussion about clinical understanding and its aim is to bring a theoretical contribution to the debate on clinical and therapeutic practices in social work. Basis on a given classification of science, the article evokes the guidance principles present along the course of the pioneers’ social workers, opens to its re-meaning, and points to the need of a deep evaluation of the social workers’ production in order to allow a revision of the faculty’s curriculum, as well as, a discussion about the name of the profession (social work) and the title of the professional (social worker) in Brazil.
Keywords: clinical social work; clinical and social work; clinical, therapeutics practice and social work.

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[1] Assistente social psiquiátrica, mestre e doutora em psicologia clínica pela Universidade de Paris 7 (Sorbonne) e Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (Cnam) de Paris. Etnopsicanalista, membro da Associação Francesa de Psicologia Política e integrante do Percurso Psicanalítico de Brasília, atualmente trabalha como professora e pesquisadora autônoma clínica do trabalho em psicodinâmica e psicopatologia do trabalho e da ação.

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