Pensando Famílias vol. 15, nº 1

Na edição da Pensando Famílias vol. 15 nº 1 temos J. Linares, terapeuta espanhol, destacando a distinção entre depressão maior e distimia nas famílias.
Os autores nacionais apresentam suas valiosas experiências, escrevendo sobre terapia com crianças, paternidade, depressão pós-parto, adolescência e abrigamento, multifamílias e dependência química, opção por não ter filhos, casais idosos e uma leitura sobre a organização familiar.
Esses temas são enriquecidos por apresentação de casos e pesquisas que validam a fundamentação teórica utilizada.

Em pleno século XXI, observa-se que a presença do sistema familiar permanece viva, embora esteja em continua renovação. Acompanhando a história da família, percebe-se sua evolução no transcorrer dos tempos. A família vem mudando sua configuração, agregando maneiras de viver antes não pensadas. Esse sistema não abandonou completamente suas formas anteriores, mas foi acrescentando novas possibilidades, novas maneiras dos seus membros se relacionarem, modificando suas funções e papéis dentro da família.

Podemos nos perguntar: Qual o papel da mãe na família? Qual o papel do pai na família? Abrindo mais o leque: Qual o papel dos avós na família? Modificou, retornou ao papel anterior? O que esperamos dos filhos? Enfim, parece que estamos sempre criando novas expectativas, muitas das quais não sabemos como manejar.

Já há 40 anos ou mais, havia a ideia de que o mundo dirigia-se para uma nova visão de mundo, diferente da que era vivida e conhecida. O impacto dos fenômenos sociais, econômicos e avanços tecnológicos sobre os jovens e adultos podem interferir diretamente nos seus relacionamentos afetivos, provocando novas necessidades e posturas entre as pessoas. Este movimento constante dos indivíduos levando a uma continua busca pela adequação, conduz os estudiosos ao desafio de aprofundar seus pensamentos em busca de novas ideias e possíveis soluções, levando a uma produção científica bastante diversificada e abrangente nessa área. É o que constatamos com os artigos aqui publicados.

Juan L. Linares, em seu trabalho, destaca a importância em distinguir a depressão maior e a distimia nas famílias em atendimento. O autor discorre sobre as diferenças das famílias de origem em uma e outra modalidade, referindo que a intervenção terapêutica deverá focar fundamentalmente o casal, ressaltando que nos casos de depressão maior, deveria haver uma abordagem à família de origem e tratamento individual com o membro portador de depressão.

Gizele Bakman, através de sua experiência clínica com crianças, apresenta ideias que articula com aspectos da teoria sistêmica construcionista. Faz breves relatos clínicos no intuito de exemplificar o uso de técnicas e recursos no atendimento de famílias com crianças, o que muito enriquece a terapia. É um texto muito interessante e instigador, pois ainda temos poucas referências bibliográficas dedicadas a esta área de tanta importância no atendimento a famílias.

Cristiane Bottoli e Dorian M. Arpini trazem suas reflexões sobre o papel do pai dentro do contexto de separação e guarda dos filhos, questão muito presente nas famílias contemporâneas. As autoras abordam a paternidade sob uma perspectiva onde privilegiam as novas maneiras do pai se colocar nos relacionamentos com seus filhos e, especialmente, quando o casal parental já não está mais unido. Mostram a importância de se considerar a presença do pai após a separação e na guarda dos filhos.

Maria Alexina Ribeiro e Rosângela R. Moreira escrevem sobre a mulher que apresenta depressão pós-parto focando alguns aspectos nas relações conjugais e familiares. Muitos dos casos de mulheres com esse diagnóstico não chegam a serem conhecidos, consequentemente, essas mulheres não recebem um tratamento adequado e, possivelmente, também não recebem o apoio do cônjuge, familiares e amigos. As autoras concluem que a depressão pós-parto não deve ser um fenômeno apenas concernente à mãe, mas se inclui a análise do contexto conjugal e familiar.

Kamêni I. Rolim e Mariana G. Boeckel apresentam um estudo sobre a percepção de família para adolescentes em situação de abrigamento, utilizando o método de Grupo Focal. As autoras abordam como esses adolescentes percebem as relações familiares e o que esperam quanto à família no futuro. Concluem o estudo enfatizando a importância da família na formação da personalidade, da identidade pessoal e nas escolhas que o indivíduo virá a fazer no transcorrer de sua vida.

Junia T. da Costa e Roberta C. Romagnoli apresentam a pesquisa desenvolvida com usuários de álcool/drogas e seus familiares. O objetivo da mesma é analisar a co-construção das estratégias utilizadas durante o atendimento de multifamílias que possuem membros usuários de álcool/drogas dentro da visão Sistêmica dos Novos Paradigmas. As autoras concluem a importância do processo conversacional nas peculiaridades do problema, proporcionando novos significados na construção de estratégias que poderão levar a possíveis soluções.

Luiza C. Sohne e Maria Isabel Wendling expõem a pesquisa realizada com casais que optaram por não ter filhos, tendo o objetivo de entender o significado de família para estes casais. A escolha por não ter filhos foi voluntária, pois a reprodução não foi prioridade para eles. As autoras, nesse estudo, constataram que diferentes fatores exercem influência para a definição dessa escolha, sendo o meio social um dos fatores bastante significativo. Esses casais demonstram outras prioridades ou interesses diferentes de ter filhos, constituindo assim uma nova configuração familiar.

Vanessa S. Cardoso e Carmen L. O. Ocampo Moré buscam, através da realização de uma pesquisa qualitativa, as características da estrutura e da dinâmica das relações familiares no Estágio Tardio sob o ponto de vista dos casais idosos. A velhice hoje é percebida de forma complexa, pois os idosos, além de se verem em frente às mudanças pertinentes a esta fase, vivenciam as diversas mudanças sociais e avanços tecnológicos e, ainda, enfrentam o desafio de conviverem com diferentes configurações familiares. As autoras chamam a atenção dos profissionais para o cuidado que devem ter no atendimento a esta clientela.

Maria Beatriz Coutinho L. de Lima apresenta, em seu trabalho, o modelo de diagnóstico denominado leitura da organização familiar. Este modelo fundamenta-se no pensamento sistêmico e nos diálogos e processos conversacionais. A autora apresenta esse modelo aplicado a um grupo familiar e de gestores da empresa, mostrando a possibilidade de ele ser uma fonte permanente de recursos para a modificação do sistema implicado.

 

Helena Centeno Hintz

Depressão Maior e Distimia: Bases Relacionais e Diretrizes para a Intervenção

Juan Luis Linares[1]

Resumo

Destaca-se a importância de distinguir duas modalidades fundamentais de depressão: uma mais grave, herdada da antiga psicose maníaco-depressiva (a depressão maior) e outra mais leve, de estirpe neurótica (a distimia). Na família de origem do depressivo maior encontra-se geralmente um casal parental bem ajustado, com uma relação complementar, e um fracasso das funções parentais sob o signo de uma forte exigência sem valoração. Desqualificado, o paciente tende a construir, por sua vez, uma relação conjugal complementar, que se enrijece quando, após perceber como frustradas suas expectativas de proteção e valoração, intervêm os sintomas fechando o círculo da desqualificação. O distímico, no entanto, procede de uma família com pais mal ajustados, que o triangulam e o influenciam pela coalizão com um deles e o antagonismo com o outro. Imitando o modelo parental, o paciente tende a construir um casal simétrico, na qual os sintomas se integram participando dos jogos de poder.
A intervenção terapêutica focalizará fundamentalmente ao casal, embora, no caso da depressão maior, beneficiando-se muito de uma abordagem à família de origem e também de um trabalho individual com o próprio paciente.
Palavras-chave: depressão maior; distimia; família de origem; casal; mitologia; organização.


Major Depression and Dysthymia: Relational Basis and Guidelines for Intervention

Abstract


We emphasize the importance of discriminating two main forms of depression: a more severe, inherited from the old maniac-depressive illness (major depression), and a lighter one, neurotic strain (dysthymia). In the family of origin of the bearer of a major depression, we usually find a well-adjusted parental couple with complementary relationship that bears the failure in the parental role, under the burden of a devaluated heavy demand. Disqualified, the patient tends to build, in turn, a complementary relationship which becomes rigid after having his expectations and valuation of protection frustrated. The dystymic, however, comes from a family with maladjusted parents, who build a triangle and influence him by a coalition with one of them, and the antagonism with the other. Repeating the parental model, the patient tends to build a symmetrical pair, in which symptoms take part in power games.
The main focus of therapeutic intervention is the couple, although in cases of major depression, the approach to the original family, and the work with the patient himself, will be greatly advantageous.
Keywords: major depression, dysthymia, family of origin, couple, mythology, organization.

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[1] Professor Titular de Psiquiatria. Universidade Autônoma de Barcelona.

Técnicas ou Criatividade na Terapia com Crianças?

Gizele Bakman[1]

Resumo

Este texto é uma tentativa de sistematizar ideias oriundas de alguns anos de prática terapêutica, abordando alguns aspectos fundamentais sobre a experiência clinica com crianças, articulando-os com conceitos e posições da teoria sistêmica construcionista. Para tanto a autora cita algumas ferramentas terapêuticas, recursos, que podem contribuir para o encontro terapeuta cliente, com breves exemplos clínicos, que ilustram a riqueza desses recursos para esse contexto. A autora expõe seu ponto de vista sobre o papel da terapia com crianças, objetivos, formato e peculiaridades. Conclui afirmando a importância do uso do lúdico e da criatividade no encontro terapêutico, especialmente quando há crianças participando nas sessões.
Palavras-chave: atendimento sistêmico; criança; famílias.


Technical or Creativity in Therapy with Children?

Abstract


This text is an attempt to systematize ideas became from many years of practice therapeutics, addressing some important aspects on the clinical experience with children, linking them with concepts and positions of systemic constructionist theory. For both the author quotes some therapeutic tools, resources, that can contribute to the meeting between therapist-client, with brief examples clinical, illustrating the richest for this context. The author explains his points of view on the role of therapy with children, objectives, format, peculiarities. Concludes by stating the importance of using playful and creativity in the therapeutic encounter, especially when there are children in sessions.
Keywords: sistemic clinic; children; families.

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[1] Psicóloga, Mestranda em Psicologia Social pela UERJ, Terapeuta de Casal e Família, Especialista em Terapia de Crianças e Adolescentes, Mediadora, Facilitadora de Processos Grupais, Terapeuta Comunitária. Professora e Supervisora do Curso de Formação em Terapia de Família do Instituto Noos. Professora do Curso de Facilitação Sistêmica de Processos Grupais da Fundação Moirü.

A Paternidade no Contexto da Separação e da Guarda dos Filhos

Cristiane Bottoli[1]
Dorian Mônica Arpini[2]

Resumo

Este estudo se oferece como um caminho de reflexão sobre aspectos que envolvem a paternidade no contexto da separação e da guarda dos filhos, a partir da perspectiva da figura paterna. Isso, por entender que, historicamente, para o pai, o momento da separação conjugal, também caracteriza a separação dos filhos. Inicialmente foi enfatizada a realidade das famílias contemporâneas, suas diferentes configurações e as modificações ocorridas nas relações de parentalidade. Posteriormente, na busca por entender como o pai se insere na realidade da separação e com relação à guarda dos filhos, procurou-se compreender a forma como a paternidade se constitui e se reconfigura após esta ruptura familiar. Entende-se, pois, que a compreensão dessa realidade familiar a partir do ponto de vista do pai, permite ampliar o olhar sobre o fenômeno e possibilita a realização de ações de enfrentamento à problemática da separação conjugal e das relações parentais.
Palavras-chave: paternidade; família; separação conjugal; guarda; parentalidade.


Paternity in the Context of Parental Splitting and Children Guardianship

Abstract


This study presents a reflection about aspects that involve paternity in the context of parental splitting and children guardianship, from the perspective of the father. It is understood that, historically, regarding the father, the moment of marital splitting comes together with splitting up from the children. Initially, the reality of contemporaneous families was emphasized, as well as their different configurations and the modifications occurred concerning parental relationships. Later, the understanding about the ways paternity constitutes itself and is altered after such family rupture is explored, aiming to understand how the father inserts himself in the reality of marital splitting and concerning children guardianship. The understanding of such family reality, from the perspective of the father, will allow to widen the comprehension about such phenomena and to pursue actions to face the problem of marital splitting and parental relationships.
Keywords: paternity; family; marital splitting; guardianship; parentality.

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[1] Psicóloga. Especialista em Desenvolvimento Infantil. Mestranda do Programa de Pós-graduação em psicologia da UFSM. Docente da UNIFRA, Santa Maria, RS, Brasil.
[2] Psicóloga. Docente da UFSM. Orientadora do Mestrado do Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFSM, Santa Maria, RS, Brasil.

O Contexto Conjugal e Familiar da Mulher com Depressão Pós-parto

Maria Alexina Ribeiro[1]
Rosângela Ribeiro Moreira[2]

Resumo

O estudo teve como objetivo identificar alguns aspectos relacionais do contexto conjugal e familiar de uma mulher com depressão pós-parto. Para tanto, utilizou-se uma metodologia qualitativa, por meio do estudo de caso. Participou da pesquisa um casal com uma filha de três meses que fazia parte de um grupo de mulheres com depressão pós-parto e seus cônjuges, realizado na Universidade Católica de Brasília – UCB. Foram utilizados dois roteiros de entrevistas semiestruturados, técnica de colagem, e o genograma familiar para o levantamento dos dados, que foram analisados de acordo com a abordagem sistêmica da família. Observaram-se: presença de depressão desde o casamento e durante a gravidez; quadro de depressão e depressão pós-parto em outras pessoas da família materna; dificuldade de adaptação do casal à nova fase do ciclo de vida familiar, com comunicação pouco clara e dificuldade dos cônjuges de se verem como casal; ausência do marido durante a gestação e após o nascimento da filha, além de falta de apoio das famílias de origem. Os dados permitiram um entendimento mais ampliado da depressão pós-parto, que não deve ser vista apenas como um problema da mãe. A dimensão conjugal e familiar também deve ser incluída na análise de tal fenômeno.
Palavras-chave: gravidez; depressão pós-parto; dinâmica conjugal; dinâmica familiar.


The Conjugal and Family Context of a Woman with Postnatal Depression

Abstract


The purpose of the study was to identify some relational aspects of the conjugal and family context of a woman with postnatal depression. Therefore, a qualitative methodology was used through the study of the case. A couple with a three-month old daughter, which was part of a group of woman with postnatal depression and their spouses, participated in the research conducted at Brasilia Catholic University – UCB. Two semi-structured interview roadmaps, collage techniques, and the family genogram for fact finding were used, which were analyzed in accordance with the family’s systemic approach. The following was observed: presence of depression from the marriage and during the pregnancy; depression and postnatal depression condition in other persons of the mother’s family; difficulty to adapt the couple to the new phase of the family life cycle phase, with poor communication and spouses’ difficulty to see each other as a couple; husband’s absence during the pregnancy period and after the daughter’s birth, further to lack of support by the families of origin. The data allowed a more comprehensive understanding of the postnatal depression, which must not only be seen as a mother’s condition, but the conjugal and family dimension must also be included in such phenomenon’s analysis.
Keywords: pregnancy; postnatal depression; conjugal dynamics; family dynamics.

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[1]Psicóloga, Psicoterapeuta Conjugal e Familiar, Doutora em Psicologia Clínica, Professora e Pesquisadora nos Programas de Graduação, Especialização e Mestrado da Universidade Católica de Brasília – UCB.
[2]Psicóloga pela Universidade Católica de Brasília – UCB.

Percepções de Família para Adolescentes em Situação de Abrigamento

Kamêni Iung Rolim[1]
Mariana Gonçalves Boeckel[2]

Resumo

Sabe-se que a família assume importante papel no desenvolvimento humano. As relações e experiências vividas neste sistema estruturam bases para as relações futuras e as influenciam em diferentes graus e intensidades, relacionadas ao que as pessoas vivenciam como família. O presente estudo buscou, através do método do Grupo Focal, conhecer a percepção de família para adolescentes em situação de abrigamento. Participaram do estudo seis adolescentes, de 14 a 17 anos, de ambos os sexos. Observou-se que para estes adolescentes a família é associada a sentimentos e ações positivas, calcada no modelo tradicional, abarcando pessoas com grau de parentesco e sistema ampliado, com ênfase nos vínculos relacionais. Abordaram-se, ainda, as funções e papéis familiares e as expectativas quanto à família no futuro, sendo que estes adolescentes desejam famílias diferentes da de origem, com a assunção dos cuidados com os irmãos menores.
Palavras-chave: família; adolescência; Grupo Focal; abrigamento.


Perceptions of Family for Adolescents Living in Shelters

Abstract


It is known that the family plays an important role in human development. The relationships and experiences in this system structured foundation for future relations and influence, in different degrees and intensities, what people experience as a family. The present study aimed, through the method of Focus Group, to investigate the perception of family for teenagers in shelter institution. The study included six teenagers, aged 14 to 17 years, of both sexes. It was observed that for these adolescents the family is associated with positive feelings and actions, based on the traditional model, encompassing persons with relationship and extended system, with emphasis on relational ties. Also were discussed the family roles and expectations of family in the future, and these teens want a different family in the future than their families of origin, with the assumption of caring for younger siblings.
Keywords: Family; adolescence; Focus Group; shelter.

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[1] Acadêmica do Curso de Psicologia da FACCAT, Taquara, RS, Brasil.
[2] Psicóloga, Mestre em Psicologia Social e da Personalidade (PUCRS), Doutoranda em Psicologia (PUCRS), Docente do Curso de Psicologia da FACCAT, Coordenadora do CESEP. Taquara, RS, Brasil.

Atendimento de Multifamílias e de Dependentes Químicos: Um Estudo na Visão Sistêmica dos Novos Paradigmas

Junia Teixeira da Costa[1]
Roberta Carvalho Romagnoli[2]

Resumo

As vivências de usuários de álcool/drogas e de seus familiares como instrumento de co-construção de recursos para lidar com essa situação constituíram o tema desenvolvido nessa pesquisa. A finalidade do estudo é examinar a co-construção de estratégias desenvolvidas no contexto conversacional de atendimento de multifamílias apreendido como um sistema determinado pelo problema de ser ou conviver com usuário de álcool/drogas na visão Sistêmica dos Novos Paradigmas, compondo, assim, um sistema linguístico autônomo, sustentado por três pressupostos sistêmicos: complexidade, imprevisibilidade e intersubjetividade. Concluiu-se que o conversar em um sistema autônomo proporciona a distinção do problema e, consequentemente, a construção de novos significados na elaboração de estratégias para a solução.
Palavras-chave: família; atendimento de multifamílias; dependência química; novos paradigmas.


Multifamily and drug abusers intervention: A study in a systemic view within the new paradigms

Abstract


The alcohol/drugs users and their family experiences as an instrument of co-construction of resources to deal with this situation, built the subject developed in this essay. The goal of this study is to explore the co-construction strategies developed on conversational context of multifamily treatment, sized as a system determined by the problem of to be or to live together with alcohol/drugs users by the Systemic of New Paradigms view, composing an autonomous linguistic system, sustained by the complexity, the unpredictability and the intersubjectivity. We conclude that talking in an autonomous system, provides the distinction about the problem and consequently the construction of new meanings on the elaboration of strategies to the solution.
Keywords: family; multifamily treatment; drug abuse; new paradigms.

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[1]Assistente Social, especialista em Atendimento Sistêmico à Família – IEC/PUC Minas, especialista em Atendimento à Dependência Química – IEC/PUC Minas, Mestre em Psicologia (PUC/Minas), professora convidada do IEC/PUC Minas.
[2]Psicóloga, Mestre em Psicologia Social (UFMG), Doutora em Psicologia Clínica (PUC/SP), professora adjunta III do Departamento de Psicologia da PUC Minas.

O Significado de Família para Casais Que Optam por Não Ter Filhos[1]

Luiza Carina Sohne[2]
Maria Isabel Wendling[3]

Resumo

As mudanças culturais têm influenciado as relações familiares no que diz respeito a suas diversas configurações. A diminuição na desigualdade entre os sexos que interfere no papel da mulher abre novas possibilidades profissionais e permite mais escolhas no que diz respeito à maternidade. Os efeitos contraceptivos também influenciam uma redefinição do casamento, tornando a reprodução voluntária. A partir disto, o objetivo deste estudo foi investigar o significado de família para casais que optaram por não ter filhos, bem como analisar a influência social e da família de origem frente a esta decisão, através de entrevistas semiestruturadas com três casais, com posterior análise de conteúdo. Os resultados evidenciaram que filhos já não é mais prioridade na vida desses casais, que se consideram família por estarem juntos e terem um lar. Constatou-se que o meio social influencia esta escolha, acarretando em cobranças e, consequentemente, em incômodo para os casais entrevistados.
Palavras-chave: família sem filhos; conjugalidade; maternidade.


Family Meaning for Couples Who Chose Not Have Children

Abstract


Cultural changes have influenced the familiar relationships concerning their many forms. The sexual inequality decrease interferes in woman’s role and opens up new professional possibilities giving woman more choices with regard to maternity. The contraceptives effects also influence on redefining marriage, making reproduction voluntary. Thus, the aim of this study was to investigate the meaning of family for couples who chose not to have children, and to analyze the social and the family of origin influences on this decision. A semi-structured interview was employed in three couples and data were analyzed through content analysis. Results showed that children are not a priority for these couples who consider themselves as being a family once they live together and share a home. We conclude that the social environment influences the choice for having children bringing about charges and expectations that may be burdensome for the interviewed couples.
Keywords: family without children; conjugality; motherhood.

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[1]Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de Psicologia das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT).
[2]Psicóloga (FACCAT).
[3]Psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica (PUCRS), Terapeuta de Família (CEFI), Docente do Curso de Psicologia da FACCAT e Orientadora do Trabalho de Conclusão.

Percepções e Vivências do Estágio Tardio na Perspectiva de Casais Idosos

Vanessa Silva Cardoso[1]
Carmen Leontina Ojeda Ocampo More[2]

Resumo

O presente trabalho buscou caracterizar a estrutura e dinâmica relacional de famílias que estão no Estágio Tardio do ciclo vital na perspectiva de casais idosos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, na qual foram entrevistadas onze famílias, representadas por seus respectivos casais, totalizando vinte e dois participantes. Os instrumentos para a coleta de dados foram dois: entrevista seguindo um roteiro estruturado, o qual o casal respondia em conjunto e outra entrevista semi-estruturada, que foi realizada individualmente. A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo do tipo categorial-temática (Bardin, 1977). Foram estabelecidas sete grandes categorias e suas respectivas subcategorias de análise. O pensamento sistêmico e a teoria do ciclo vital foram os suportes teóricos que sustentaram a análise dos resultados. Dentre estes se destaca: os sentimentos e vivências advindos do processo de envelhecimento, em que surgiram as preocupações, a ressignificação da espiritualidade, a experiência da viuvez e as diferenças de gênero. A velhice foi descrita como uma fase de mudança e reclusão em que há a vivência da aposentadoria e a consequente diminuição da renda e da rede de amigos. A dificuldade de conviver com crenças e valores contemporâneos, mas em contrapartida, a sabedoria, a experiência e a tranquilidade, foram destacados como ganhos desse período. Conclui-se que as pessoas que estão no Estágio Tardio do Ciclo Vital, hoje, estão diante do desafio de conviver com as consequências das diferentes configurações familiares, coexistindo com o modelo tradicional configurando um distanciamento entre as gerações.
Palavras-Chave: família; ciclo vital; estágio tardio.


Perceptions and Experiences of the Late Life Stage in the Perspective of Elderly Couples

Abstract


The current work attempted to characterize the structure and relational dynamics of families that are in the late life stage of the life cycle following the elderly couple view. The qualitative research approach was used, being eleven interviewed families, represented by their respective couples, totaling twenty-two participants. The instruments used for the data collection were the semi-structured interview and the structured interview. The data analysis was performed through the content analysis technique of the thematic category type (Bardin, 1977). Seven major categories and their respective subcategories of the analysis were established. The systemic thought and the cycle of life theory were the theoretical support that sustained the analysis of the results. Among these a few stand out: the feelings and experiences that come from the aging process, in which worries, new meanings of spirituality, the widowing experience and gender differences come about. The elderly age was described as a stage of change, the reclusion that comes with retirement and the resulting diminished income and network of friends. The difficulty of living with contemporary values and beliefs, and wisdom, experience and tranquility are the gains of this period. It was concluded that people who are in the mature stage today face the challenge of living with the consequences of different family configurations, while coexisting with the traditional model, generating a gap between the generations. This theme still needs to be investigated and appreciated by the health professionals in order to prepare them to deal with families in the late life stage.
Keywords: family; life cycle; mature stage.

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[1] Psicóloga, Terapeuta Conjugal e Familiar. Doutora em Psicologia Clínica pela UnB (2010) e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina.
[2] Psicóloga. Mestre e Doutora em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000). Professora junto o Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina atuando na Graduação e Pós-graduação em Psicologia.

Leitura da Organização Familiar: Um Modelo de Diagnóstico Conversacional Sistêmico

Maria Beatriz Coutinho Lourenço de Lima[1]

Resumo

Este artigo apresenta um modelo de diagnóstico, que denominamos leitura da organização familiar, apoiado no pensamento sistêmico e construído com base em diálogos e processos conversacionais. Elaborado a partir de reflexões com especialistas em atendimentos de famílias e empresas familiares, é aqui ilustrado pelo processo desenvolvido com um grupo familiar e de gestores da empresa. O processo dialógico e conversacional permite que crenças, narrativas e histórias com as quais narramos nossas experiências possam ser ampliadas. Isto faz com que o diagnóstico não seja somente uma descrição de um ponto de vista e uma fronteira julgadora de uma experiência, mas que funcione como uma permanente fonte de recursos para a transformação do sistema envolvido. Desse modo, o complexo conjunto de experiências coordenadas entre os componentes do sistema, mobilizado e ampliado nos diálogos, pode ser afetado por novos movimentos, abrindo espaço para que se processem mudanças efetivas e duradouras.
Palavras-chave: narrativas; conversação; empresa familiar; diagnóstico; mudança.


Family Business Reading: A Systemic Conversational Diagnosis Model

Abstract


This paper presents a model of diagnosis we call family business reading, supported by systems thinking, and weaved through dialogues and conversational processes. Originated from specialists’ reflections upon consultancies developed together with families and family businesses, it is here illustrated by the process developed together with a family group and business managers. The dialogic and conversational process yields the broadening of beliefs, narratives, and histories with which experiences are narrated. In this sense, the diagnosis is not restricted to a single point of view report, a judging boundary of an experience, working instead as an endless supply of resources for the system transformation. This way, the complex set of experiences coordinated between the systems components and mobilized through dialogue may be affected by new movements, giving way for long lasting and effective changes to occur.
Keywords: narratives; conversation; family business; diagnostic; change.

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[1]Psicóloga e terapeuta familiar, Mestre em Administração, professora convidada da Fundação Dom Cabral – MG. Atua na Parceria para o Desenvolvimento de Acionistas, um programa dedicado ao desenvolvimento de famílias empresárias da FDC.

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